segunda-feira, 16 de abril de 2012
Com.fé.são
sábado, 14 de abril de 2012
So.L
E raiou o Sol.
quinta-feira, 12 de abril de 2012
tens pinta?
Como sou uma c@bra @rtista (para quem não sabia passa a saber), vou promover uma atividade intitulada "tens pinta?"Consta na aquisição de fotos pessoais da vossa melhor pinta corporal. Ou seja, cada qual, com o SEU sinal, no local do corpo que acha mais sensual.
Enviam a foto para o email da cabra, este: cabrabranca@gmail.com, com o nome do vosso blogue. A votação será feita pelos seguidores, a foto mais comentada será a vencedora.
Se não tens pinta... pinta uma!
Público alvo: TODOS
Objetivo : mostrar o quanto somos belos sem tratamentos de imagem!
Propósito : porque sim!
Fim: Brincar e sorrir!
No Finalmente: Se a adesão for considerável e todos estiverem de acordo, serão todas as fotografias reproduzidas e expostas em uma galeria conceituada da nossa praça,
espero que participem com entusiasmo, eu mereço tá!
Abertura: Agora!
Conclusão:13 de Maio de 2012
divulguem esta atividade
pelos vossos blogues
Obrigada
terça-feira, 10 de abril de 2012
segunda-feira, 9 de abril de 2012
fora de questão?
domingo, 8 de abril de 2012
sábado, 7 de abril de 2012
a tua noite
Fazia frio, era uma noite de chuva...
Apanhei-te num sítio onde já não sei onde fica. As mensagens e os telefonemas feitos até ao momento faziam adivinhar o todo desejo que estava latente, pronto a explodir.
Entras-te no carro, olhámo-nos, não foi proferida nenhuma palavra, não era preciso.
Andámos alguns, poucos ou muitos, não sei precisar quantos km, e as tuas mãos chegaram a mim, teimosas em fazer o que tu no teu bom senso jamais farias. E a minha mão louca, tocou-te também, com desejo e conduzir tornara-se difícil.
Parei. Uma vez mais perdido, rendido naquele escuro... a chuva batia tensa no carro, um barulho ensurdecedor, mas eu ouvi, ouvia a tua respiração, o bater do teu coração, ouvi, ouvia o som do teu desejo intenso por muito disfarçado ser.
Olhámo-nos, os nossos lábios tocaram-se suavemente, um doce gosto fez o tempo parar para nós... já não havia chuva, nem noite, só nós, só nós dois éramos um só.
Um beijo demorado que soldou-se sôfrego, e como numa dança que muda de ritmo, o teu comando desapareceu. O desejo tomou-te conta das mãos, das tuas e das minhas que perderam o limite. Dedilhei sem tempo cada centímetro desse teu corpo, eras fonte a transbordar à entrada dos meus dedos, contraíste o corpo, moldaste e encaixaste, envolveste a tua mão na minha nuca e começaste a dançar, movimentos contínuos e circulares e os meus dedos dentro de ti. Os meus lábios ciumentos percorrem o teu pescoço, encontraram os teus mamilos e entre beijos e mordidas meigas, sinto-te estremecer, arrepiada em convulsão de prazer. Desço-te, onde tinha a boca dou lugar à minha mão que brinca nas tuas mamas... Desço mais e a minha língua sedenta encontra os teus grandes lábios, chupo-os, sorvo-os como a um néctar divino, olho-te e tenho uma visão deslumbrante, vejo-te perdida sem controle, os teus gemidos mudos são música para os meus ouvidos, oiço nitidamente carmima burana, um espectáculo só para mim... afundo-te a minha língua, brinco com o teu clítoris e sinto-te explodir. Delicio-me a ver-te assim, já sem forças a abraçares-me.
Quietos. Mais uma vez o tempo parou.. era noite e continuava a chover.
Sem dizer palavra despedimo-nos da tua noite, a só tua noite de prazer.
quinta-feira, 5 de abril de 2012
só muda a vogal!
Mas hoje é noite de ser “diferente”, mudo-lhe uma simples vogal, cansada do “a”, enfio-me dentro de um “o”! Feitas as contas, de cAbra passo a cObra, julgo ser muito interessante e para vós, sim, já vos sinto vibrantes!
Certa porém, de que não abandono o meu lustroso e macio pêlo branco, não! Hoje visto-me de pele de cobra, ei-la luzidia e escorregadia. Hoje é com língua de cascavel. Hoje!
Não se cansem nestas linhas, elas vão se alongar e tudo o que cheira a muita letra junta dá sono e canseira, contudo acredito que conseguirei captar a vossa atenção. E obrigada desde já, por terem chegado até aqui!
Blogues, são casas sem paredes, sem tectos, sem uma singela porta que possamos bater e pedir licença para entrar, a medo ainda ficamos na espera de quem nos possa vir atender. Nos blogues não há senhoras das que emprenham revistas de foro religioso a ficarem à porta ou a serem enxotadas, despachadas com a mais pura das mentiras “tenho a casa a arder, agora não posso!” ou “tenho o bebé a vomitar, lamento mas não posso!”. Quando se dá conta não se está numa dessas casas mas já se entrou na aldeia toda!
E nesta aldeia da blogosfera, na qual eu montei a minha montanha e que é povoada não só pela Cabra que sou, mas por todas as Cabras e Bodes que aqui igualmente vêm ruminar, encontro-me fiel a vós com todos os estados de alma e de graça que me vão caracterizando. Tal como o amanhecer, mesmo nos dias cinzentos temos a certeza que o sol não se esqueceu de acordar.
Vai para dois anos e meio que subi pela primeira vez esta escarpa e fui encontrando pessoas maravilhosas e tal como as casas sem paredes, estas pessoas desta aldeia são desprovidas de pele, irrelevante quais vogais aqui se imponham para as conotar! Não têm conotação, não importa ter! São pessoas. A algumas lhes vi a estrutura, outras só as imaginei. Todas têm a sua cor o seu cheiro e o seu encanto. E só falo das que vieram sempre por bem, porque até hoje, posso gabar-me de que na mesa deste pasto só se sentaram, e continuaram a sentar, as melhores flores do prado. E grandes repastos se ruminam aqui! E como em toda a grande festa, não se quer a toalha limpa e houvera também nódoa lânguida que tivera o prazer de se impor à sua presença!
Sem esquecer ilustre, como todo o blogue que se preze, tem-se o anónimo de estimação. E o meu? O meu, ainda que periodicamente me dedique alguma atenção, nutro grande amor platónico por ele!
Mas afinal o que me entristece? Sim, tanta dedicação nesta lenga lenga... pois que são, casas com falsas paredes, a verdade é essa, blogues que se dizem escritos a mulher e que não passam de homens curiosos ou mal formados, já nem sei. Entristece-me um blogger enlaçado a policia à paisana, um blogger voyeurista, um blogger contrabandistas, um velhaco blogger! Bom, entristece-me... ou não, porque os olhos aqui são sempre mais que o dobro e as orelhas igualmente, já as “bocas”, essas aqui por vezes estão como as das cAbras, por outras, com línguas altamente afiadas como as das cObras!
e agora vou pensar numa lua, uma história e um segredo...
quarta-feira, 4 de abril de 2012
Desa.Fio
que por sua vez deu origem ao seguidor: Pecado e Luxuria, desafiar-me

Sentes-te......? Livre
CABRA BRANCA, Bianca.
terça-feira, 3 de abril de 2012
é destas coisas...
Suando em eco na claraboia do prédio, os passos eram fortes e firmes ao subirem a escadas... Imaginava-o esticado no chão da minha cozinha...
Qual barrigudo, qual bigode farfalhudo, qual corpo mal banhado... A figura era ela,

segunda-feira, 2 de abril de 2012
Cana.liza.dor
domingo, 1 de abril de 2012
Ven.dado
Cairás na rede... beijando-te os olhos claros, engano-os numa fita negra, envolvo-os na escuridão. Lambo-te a orelha, sussurro caprichos, baixo beijos, carrego-te os lábios. E dou um nó... desligo-te a luz solar... Aperto, confiante dos sentir vendados, esses olhos amados, as orelhas segredadas e os beijos escorregados por esse teu corpo minado.
Devagar...
e não foges, confias ânsias, dás entregas e esperanças. Serás enlaçado num final número um.
sexta-feira, 30 de março de 2012
naquela praia

Podemos ser segredo?
Um daqueles que nem nós conhecemos?
Chiu...
Tu és um segredo sem hora certa,
uma verdade sem essa,
uma vida paralela,
num sem tempo para essa,
duas vidas demarcadas,
um vidro,
um espelho do mesmo desejo,
chora,
chora agora,
e choramos...
chorámos...
agora,
mais lentamente,
corre em fio,
naquela praia
choro,
choro agora,
não demoro,
Toxic...os
Estou-te chamando...
(Sou) arma tóxica,
estou derretendo...
Com o sabor de um paraíso
de veneno...
(ficou) tarde...
para me livrar de você.
Dou um gole
no copo do demónio
Com o sabor dos (meus) lábios
entro numa viagem...
Com o sabor a um paraíso,
de veneno...
Intoxique-me agora,
Com o seu amor,
(Com o seu veneno)
Intoxique-me agora.
Agora”
quinta-feira, 29 de março de 2012
terça-feira, 27 de março de 2012
desenlace
segunda-feira, 26 de março de 2012
domingo, 25 de março de 2012
Esta noite,
sábado, 24 de março de 2012
Olhe
Olá, chegada agora do meu segundo trabalho, sim porque uma Cabra licenciada em tudo, nem só de vender corpo a pequenos aprendizes é feliz a pagar contas!
E dizia eu, olá,
Olá, venho assim indignada, diga-mos que, extasiada pela estupidez, envolta em papelotes amargos de estupefação! Talvez esclarecida ou mesmo quase, quase convencida de que os homens perderam todo o seu sex appeal!
Declarando sem mais rodeios as palavras de minha outra amiga Cabra “tu tens uma malha muito larga!” Nem mesmo com a malha que uso, que sim passam tubarões!, aguento grosseirisse de certa camada "machal".
Armado a graçolas ou metido ao pingarelho o jeitoso:
Vejamos;
- Olhe traga-me o picante! (se faz favor????? NADA!)
demorei, nada de pressas (para quem não sabe ser educado)
- Olhe lá, o picante?
- Desculpe, peço desculpa.
- Não quero desculpa, quero picante!
Veio o picante...
- Olhe, traga-me também uma coisa dessas para eu beber aquilo!
- Quer um copo para beber chá, é isso?
- É, é, é isso!
Veio o copo com uma colher de chá .
- Olhe (este olhe subia-me o pelo) para qué isso? (Elevando na mão a colher de chá)
- Bom, se arma não é, calculo que seja uma colher para encher de açúcar e mexer o seu chá!
Pergunto;
Mas o que é isto pá????
Nuno
-->
quarta-feira, 21 de março de 2012
100 ou Sem...

foste o número CEM dos seguidores da Cabra Branca.
A Cabra é uma querida e surge-lhe assim ofertas surpresa!
Será o que TU quiseres...
Terás tu desejo de tal presente?
mas... (existe sempre um safado "mas")
pergunto à audiência sabedora deste blogue,
se serás merecedor de 100 desejos ou Sem desejo algum.
Está na mão deles a tua sorte,
sempre podes "meter cunhas"!
a teu desejo deixa claro o que pretendes usufruir enquanto sorteado.
...e Boa e deliciosa viagem!!!
terça-feira, 6 de março de 2012
O homem das calças amarelas .4
Sem chegar ao culminar da excitação, deu um só leve gemido em fase platô. Despertara serenamente, sentindo a sua pele escorregadia pela humidade intensa do banho. Foi abrindo os olhos lentamente, na mão viu abrigar-se o seu genital ainda palpitante de cio. O que sentiu dependeu do que procurou naquele breve descansar. Levantou-se e abandonou o banho turco.
Já perto das cabines do duche apercebera-se que afinal ainda um deles cantava a melodia da chuva. Entrou no do lado para finalmente se banhar. Encheu as mãos de gel duche e afagou-se com apetite, cadenciadas pingas de água temperada a beijarem-lhe o couro, massajando-o com vontade. Entregava-se assim aquela água, alagando a boca, saciando a secura que o consumia. Lavava tudo. E tudo escoava pelos seus pêlos escorridos, alguns já caídos, abandonavam-no assim, supérfluos ao seu ser pelos riachos que abraçavam outros caudais vindos do outro lado do vidro fumado, baldavam-se juntos pelo cano, por de baixo das pequenas nuvens de espuma.
Atento ao vidro, fixou o vulto vizinho, apreciou, tocava-se, sim, assim lhe parecia o fulano, um ritmado movimento que abrasava alento com entusiasmo amásio. Mirar excitante aquele, afogueava-lhe o olhar. O vizinho sabia-o a admirar e poliu furor no dar, uma cumplicidade brava, um acumular de tremor, que não dera espaço nem tempo, sem reflexão, sem consentimento, o vulto a sua cabine desonrou. Penetrou, ali agora sem fronteira transparente, sem alheia suposição, os dois num perfeito contemplar em anseios de elevar. Um vulto tornado nítido, um assaltante libertino, um verdadeiro desatino. O gatuno sem pressa, percorreu todos os poros que lambeu, abocanhou e sorvou. Que subiu e desceu por ele, acendeu todos os sentidos, alcançou, deslumbrou e aturdiu.
O meliante saiu e o homem das calças amarelas ficou. Sossegou uns minutos, repousou sobre os azulejos lilases do duche. Um sorriso inaugurado nos lábio e uma vontade diferente num rosto agora engraçado. Enrolou-se à toalha e saiu da cabine. Abriu o cacifo, vestiu-se e enfiou toda a tralha usada no saco.
Passou pela recepção, olhou de soslaio a rapariga que fechava as contas do dia, nem boa noite lhe bolçou, subiu os degraus que o levavam à saída em corrida apressada e cruzou-se com o invasor. Estava encostado à porta, como quem espera alguém. Um sorriso partilhado e a caminho do seu carro ainda ouviu:
- Vamos amor?! Podes fechar, já não há mais ninguém no ginásio.
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
O homem das calças amarelas .3

Deixou de se ouvir o tilintar dos ferros nas máquinas, deu-se lugar ao bater de um único coração, batia forte conta o seu peito, ali estava, esticado no chão, com os olhos cerrados e uma expressão acabada. Aplicou-se no arrasto, levantou o corpo imenso e desceu as escadas em câmara lenta, como chegado da guerra, não tecendo ais nem uis, passou breve, diante a ela.
Entrou no balneário, despiu-se, abandonou o traje ensopado e enrolou a toalha à cintura. Tinha a cabeça vazia, escutou a água ao fundo, tombando dos chuveiros entoando uma melodia singular, apaziguadora e harmoniosa. Observou os duches, não havia cabines vagas, optou pelo banho turco, relaxaria depois de tamanha tareia levada na musculatura. Entrou, esticou-se na pedra mármore e sorriu, que delicia de afago consagrada por aquela pedra amaciada a abraçar com doçura as suas costas mal tratadas. Suave suspiro, inspirou e expirou ritmadamente, mais uma e outra vez e um eco pareceu-lhe devolver igual respiração. Ergueu um pouco a cabeça, apercebeu-se que não estava só, uma figura difusa, desenhava-se no artificial nevoeiro. Ignorou, deitou de novo a cabeça que sentia pesada e continuou o exercício contínuo do resfolegar. Quase adormeceu, mas levantou-se num ápice, sentiu-se zonzo, com o sangue a ferver, saiu aos ss para o duche frio, mais um choque de mau trato e nem um leve gemido soltou. Apercebera-se sozinho, já ninguém povoava o sitio. Voltou para o banho turco, sentou-se agora, na mesma laje de afago. Cabeceou dúzias de vezes, acabando por dormitar. Sonhou, viajou nas histórias da ilusão e sentiu como reais as mãos da almejada recepcionista a subirem vagarosas pelas suas perna cansadas. Arrepiou-se, ao toque sentido, um veludo magistral de lábios humedecidos entre as suas coxas, levando o seu corpo a conciliar com aquela cabeça que o invadia sem pressa, sem furto de esticão. E a ele só se pedia uma viagem, aclamou calma à sua cabeça que a deixou solta, caída para trás.
(continua)
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
O homem das calças amarelas .2

Sem se aperceber o corpo atendeu à fraqueza e sentou-se sem comando no banco de musculação. Abriu as mãos e os halteres escorregaram suavemente rolando no pavimento anti-deslizante. Baixou a cabeça ao soalho, naquele chão as pingas de suor desenharam linhas como quem decalca ao acaso, passando a manchas com formas voluptuosas de mulher, sentiu o corpo arrepiar, talvez pela roupa encharcada colada a si ou pela delicadeza daquele momento. Seria a ele que ela se dirigia, continuou cogitando, divagou no anseio, fechou os olhos e fantasiou. Sonhou-se debaixo de um banho, onde a chuva aquecida e as mãos dela pelo seu corpo quente minavam-no de carinho. O suor transformou-se em lágrimas ferventes, inebriantes de prazer e sorriu, um misto de sensações inesgotáveis, medo e delírio numa malga de incerteza.
Abriu os olhos, observou os charcos de suor no chão a tremerem como ele, os tacões das botas dela, ainda que enfiadas nuns pequenos sacos azuis, não amortizavam os passos a aproximarem-se. Petrificou, completamente em pânico, mas ela, dela só o rasto do seu perfume suave, passou ao lado, ligeira, um toque entre calças, as dela de ganga justa às suas de algodão amarelas foi o que alcanço. Ela passou e segredou junto ao ouvido de um outro sócio, algo rápido e voltou a sair graciosa, mexendo nos seus longos cabelos com a esferográfica que trazia na mão.
Sentiu vergonha, a sua grandeza física traduzida a incorporal, nula, translúcida até, mas ao mesmo tempo oprimiu um alivio ou uma desculpa. Que lhe diria, se ela o interpusesse, talvez nem conseguisse manufacturar uma simples palavra, um sim ou um não, mais certo sair um descoordenado hãm hãm...
Pegou-se ao treino, com mais atitude e afinco sobre uma dor de Calimero. Os poucos que restavam na sala de treino paravam em espanto por tamanha força e resistência animal. O homem das calças amarelas, ignorava o ambiente, as horas levadas naquele treino eram recorde para qualquer outro. Os seus músculos aclamaram perdão, ele absolveu-os caindo como um árvore de grande porte no chão.
(continua)
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
O homem das calças amarelas

Encharcado pelo pensamento, entrava no ginásio já suado pelo prazer de a avistar. Tentava controlar o físico agitado antes de colocar o pé no patamar da entrada, ordenava-se, ditava calma à respiração e exigia ordem às ideia, mas era impossível, como uma avalanche derramava corpo pela escadaria até à recepção. Ali, defronte a ela, os segundos de espera à entrega da garrafa de água para tragar durante o treino, eram como horas de contemplação. Era ela, sentia-a, desejava-a como sua, emaranhada em si, escorrendo-se pelo seu corpo imenso, como a toalha que trazia agora enrolada, envolta ao seu pescoço largo.
Seguia para o balneário com um sorriso quase dominador, guardava o saco no cacifo e sonhava com a nova passagem pela recepção antes de subir para a sala de treino. Pensava que passaria por ela, ainda que soubesse que a musa nem repararia nele e nem um vago olhar lhe dedicaria. Cobiçava-a com desejo, como nunca outrora tinha invejado alguma.
Enfiado nas suas calças de treino amarelas, marchou lento diante ao balcão, mais vagaroso subiu cada degrau, como se de íngremes montanhas se tratassem, achando que o amarelo das suas pernas a enchesse de luz, como um raio de sol naquele início nocturno. Mas ela, ela não se encandeou e seus olhos não içou, nem quanto mais um único membro ou sequer cabelo movimentou.
Completou a subida, no piso superior contemplou a sala, esta ajeitada de corpos trabalhados, físicos suados, homens ávidos por traços esculpidos. E dirigiu-se à máquina, aquela que lhe parecia ir roubar todas as suas valentias, a que lhe sacaria as forças e renderia resistência ignorada. Espumava pela insignificância declarada, gritava a cada grama de ferro acrescentada, mas nada o livrara de a saber lá, lá em baixo, de pensar nela, sentada na recepção mirada.
Agarrou-se aos halteres e fez mais dúzia de repetições, o suor gotejava na testa como pingas de água que escorrem pelos vidros em dia de temporal.
E ela subiu à sala, ele sentiu-se fraquejar, direcionava-se a ele, seria a ele, questionou-se, um tremor invadiu a sua musculatura, os braços caíram, as mão com os halteres perderam a firmeza e as pernas o equilíbrio.
(continua)













