Este pêlo branco

Aqui, nesta montanha batem os primeiros matinais raios de sol e quando este desce e se apresenta o luar tem-se a sensação de que nada se apresentou diferente do que já foi, do que é ou que poderá vir a ser. Não espere nada, nem deslumbramento nem desilusão, não é essa a brancura que se pretende.
Anseie o nulo para que atinja o supremo início do tudo de novo.
Muito gosto,
Cabra Branca.

domingo, 30 de dezembro de 2012

Beijo caro(a)


Cubro e cobro a beijos o que tiver de ser, neste meu eloquente desejo, sei que nem vejo, aposto num desconecto anseio, até o chão do mundo beijo. Beijo as expectativas irreais , nada é em vão, nem tu penses sequer num suposto não. Tem de ser assim, enfeito o beijo, encanto e iludo, suspenderam minha viagem e não quero merecer outro lugar se não este que é de tão bom estar, onde passo a cada hora tinta a 5 letras e sai mais um beijo e outro a seguir, que mal tem é um beijo, quem me impede então, se não é doce é acre é viver de ocasião. É um beijo vermelho, que meigo, aparentado a frio, suado a amargo, que queima, cola no lábio como o cubo de gelo cortado do glaciar, lânguido feitiço, indeterminado cobiço, beijo perdido num fundo de um quadro a veneno pintado, penado num milagre de amor fantasiado, uma promessa de não pernoitar só. E então, faz de conta, que mal há, é um ensaio num espelho beijado, um fazer amor como a colher engenhosa dona do açucareiro, é amarrar como erva enrolada puxada demora num charro travado. Deixa-te livre levada, embarca afinal no beijo, beijinho beijado e deixa-me ver-te sorrir, como gosto de te ver sorrir...
Quanto custa esse beijo?

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

genteS


se queres saber
se queres sentir ou provar
não te podes travar
não podes dizer não gostar
levado por nuvem sem chuva
uma brisa alheia que anseia
por genteS diferente
há e se sente
nalgum ambiente
tudo a brilhar 
como deslizar no luar
ilumina o encontrar 
vazar o acreditar
há garra
vontade de entornar
mas se queres saber
ou mesmo provar
não te podes esconder
não te podes assustar
e vem jorrar


terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Despertar o amor

Shiuuuu, que vontade dá dizer, shiuuuu, quando o que queríamos que nos parecesse novo afinal só mudou de lugar. Shiuuuu, porquê não deixar que tudo , todo o movimento tome o seu devido lugar, se é ou não o seu, o merecido, louvado, ansiado ou querido lugar, que tome um lugar. Se não, não o tirem de lá, nem o vento, nem a gente. Shiuuuu, as coisas bonitas vêm devagar, como pássaros quando aprendem a cantar. Se não, se não pertencemos acolá, deixem estar, Shiuuuu, não removam desse estar. E deixem acabar calmo, bom e formoso sem ser confuso, sem mais parecer que quem mudou sem ser reconhecido foi mesmo o próprio lugar! Shiuuuu... eu quero caminhar, ir ao teu encontro, a um honesto amar, em que nada mais é, que o acreditar, voltar para casa e reconhecer a fala da cidade, o cheiro da tua rua a linguagem das tuas escadas, o aroma do teu 3º andar e beijar... beijar-te a boca, roubar-te o silêncio, encantar-te com o olhar, se me deixares entrar, ir lento com acento. Shiuuuu, se tu quiseres novamente a beleza de compor a música num abraço, do embaço, do palhaço que fui, que sou e se reconhecesse nesta que é a tua, a tua cidade, neste que é o teu lugar que invejo e me faz libertar. Shiuuuu

domingo, 16 de dezembro de 2012

não se pode morar,
 
nos olhos de um gato...

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

on.DE fire

onde me pertences? onde me queres? onde me assaltas? onde me aqueces? onde me levas? onde me cuidas? onde me proteges? onde me lembras? onde me lambes? onde me prendes? onde me engoles? onde me escolhes? onde me escorres? onde me quis? onde me montas? onde me contas? onde me abraças? onde me levas? onde me danças? onde me cansas? onde me envolves? onde me absolves? ONDE? ...?

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Fuma um cigarro,



que isso passa.

...lá quero saber para que lado te deitas e de que lado acordas, se te aguentas se sorris ou choras, se tens quem te implora, se o teu amanhã demora, se o teu dia é ilusão e a noite não passa pela demência da minha imaginação.  Estou cansada de conversa, deixa-me, larga-me da mão, faz o que quiseres desse teu serão, já me tiras o chão, queres roubar-me o tesão? Dá fim à tua angustia, enfim, nada mais à minha custa. Perdes, nada já me deves. Agora o que te assola, assalta, atrasa ou demora? Não dês, já não crês nas contas que teu Deus fez. Arranja quem te deites e se teu caralho tem enfeites, não me lembro, nem esqueci em jeito de despeito, saiste do meu peito, agora com todo o respeito,
vai-te foder!

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

dEl(e)

Acordou gelado, pingava do nariz e a baba desenhara-lhe um rio congelado pelo queixo.
Estou pendurado! Constatou. Pendurado num estendal!? ...Céus como aconteceu isto? Questionou-se desorientado e pensou alto:
- Mas que mundo este? Será o meu?
O céu era pintado a púrpura e o frio era extremo e húmido. De repente  bateu-lhe o medo e achou que estava no mundo dos vivos, - Ohhhhh o medo é dos vivos! Tenho medo! Estou cheio de medo!!! Gritava-lhe o interior, as entranhas tremiam mais que de início. Ao frio juntou-se-lhe o temor. À sombra, as ideias congelavam-lhe, ainda assim visualizou na sentença uma coroa, uma imagem de honra e de volúpia. Era a de uma delas, certo disso, de alguma das graciosas mulheres que lhe passara na vida.
- Mas onde estou? 
Optou por um pouco de silêncio. Chegou lá, percebeu, perdeu uma coroa que o iluminara, que lhe dava um outra luz, que o aquecia e ele nem acreditou naquela magia.
Visava ainda assim a mulher, a que sabia que coroa não tinha. Viveu aquela vaga imagem e a custo esboçou um singelo sorriso. E começou a envelhecer ou a sentir-se velho, não o sendo, não o era, nem por sombras o seria, mas não tinha mais forças nem reacção, babava, uma aguadilha frígida.
A chama já não morava ali, nem lhe caia em cima. Estava envolto num físico escuro, para além de estar pendurado... aclararam só as lembranças dEla, da que já não cavalgava as fantasias, nem o animava ou enchia de poeiras os dias mexidos. Parado, pendurado no universo...  
- Bolas!!! Estou no estendal do céu.
...fodasse estou morto!!!

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

te vaLER



Quero-te de cama, na minha ou noutra, aí a tua não é especial e esta aqui  é igual, mas se na cama te lanço, te envolvo te danço e no balanço apresento-te o meu vilão, um macho, um ser garanhão, um homem sensual ao teu desejo genital, como eu não há igual.
Viro-te, possuo-te com língua que te tira dessa mingua. Vibrarás, arranharás e morderás, ficarás enfeitiçada, à minha voz te renderás. Sou um cântico que flutua no teu corpo toda nua. Se for nesta casa, com gana te entrego ao chão, mas com toda a perfeição como-te desde o rés do chão, assoalho-te, abafo-te e agasalho-te, o meu corpo que destila, mas sem pressas na visita, exploro-te, vinco-te e no fim grito, tomado pela tentação de não apressar tal aflita penetração. Apresento-me tormentoso, desejoso por te ter, mas no fundo confesso, que agora só te estou a ler...


domingo, 9 de dezembro de 2012

DEVAgar


Gostamos assim. Apertas-me com mãos de aço, durante o enlaço, percorres-me o corpo, fecho entre pernas o sexo que aperto, e estás mais perto mais dentro de mim, agonizas o sentir, enrijas de prazer, despertas a dor do querer, queres mais, soltas um ai e eu um anhhh e é bom deslizar-te dentro de mim... devagar, devagar a entrar, pouco ar a custo de arfar, as veias a queimar sinto-as quentes como correntes e avolumas, me deslumbras. Tiras de mim, levo-te daqui, partimos desejados, amados enfeitiçados e quando quase quebrados, sublimes almejados, meu corpo recai sobre o teu, as nossas peles húmidas colam, abraçam e beijam e por baixo delas os cavalos armados celerados, ameigam latejando por paz. Adormecemos quebrados, ainda entrelaçados até o amanhecer.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Cinder ela


DespIr. Quando queres? Disponho-me a ti, abro, rasgo, arejo o corpo, dou-me sem esforço, cerro os olhos e lambe-me, lambuza a teu gosto enche-te à medida, abro-te a braguilha e sais em festival, gritas aflito, e  eu abro, abro-me toda ao deglutir do teu sentir, ficas parvo tão baralhado, não sabes onde entrar, já sem estar, quase sem respirar, sem sentido regozijo, contemplas alado no olhar. Dá-me a esmola, meto-a na grafonola que canta sobre nós. Estou quente, tão quente, escaldada a tinto, tudo na mesma, estarás aturdido ou iludido e embarcas nesta viragem? Ou é só tão simples miragem? Não! Não entres nessa viagem, ela não é dessas, controla a razão e entrega-te à violação. Dispo-me, abro-me, rasgo-me, dou-me sem esforço... Diz? Não te ouço, perdeste a opinião, então vem mesmo alem de qualquer opção.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

tirAR


Não sei quem és, chegas a mim, sem hora, sem tempo, mesmo sem prazo, vens e entras sem chave, não há chaves nem porta afinal e ofereceste a mim, sem querer saber qual condição, sem razão, sem vontade ou em gratidão, pouco importa, empurras a porta que não existe, nem janelas há, e tu és uma corrente de ar sem bloqueios nem passeios, uma aragem arejada, sem lamentos preconceitos, sem jeitos em arabesco, és fresco ar que desliza no que encontras, numa figura que é corpo. Hoje és moreno, amanhã serás gordo, ontem misterioso, antes sedutor, terás barba, serás cheiroso. E que importa, que acarreta? dás-te a cem e sem nãos, sem porquês ou porque não, tuas mãos eu quero assim, como nunca conheci, sem linhas em reticência, aspas crespas, virgulas convertidas sem razão, sem pensar em interrogação, quero-te uma canção. Pouco alterado, original e esguio, hasteado sem fio, alheado, um pouco atrapalhado, talvez até assustado, mas quero-te afinal, talvez um pouco louco, louro e magrela, sedento ou até corpulento, como o tal vento... E nada sei de ti, nem espero que saias a mim, deste-te assim, em físico alteado, risco de sabor alcançado, quase claro partilhado e agora rasga, mete-me a nu como tu, solta, rota, translúcida e vaga, envia-me a tal carta, mas agora que cá estás, anda não olhes para trás a porta não está lá, e pouco importa. E janelas? Janelas não as há!



quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Conversa do minete


- …para o caso de precisares tenho a dizer que tenho uma língua marota atrevida e muito curiosa.
- para o minete?
- sim!
- ok, fica registado!
- adoro! sou um grande mineteiro, passo tudo a língua.
- como um pente fino?!
- sim, língua fina e grossa e não me fico só pelo sitio tradicional, sou guloso…
- estou a ver, estou a ver.... Gps na ponta da língua, ondas curtas e medias… e isso é coisa cara ou fazes de borla?
- borlas!
- e ao domicilio?
- completamente, estás em casa com aquela vontade e pumba lá está o homem do minete!
- fantástico! tipo como chamar um taxi ou a entrega de uma pizza a casa?
- sim, sem nada em troca o minete e até logo...
- até logo!



terça-feira, 4 de dezembro de 2012

tocAR


Sonhei contigo. Se imaginavas que te sonharia. Não só sonhei, aprovei todos os segundos os minutos desse estar. Sabes lá tu, como o desejo chega a tocar, a agarrar a luxúria que és, a linha, a forma esculpida, a pele macia, sedenta magia, desafio escondido, desejo molhado, quente estado, cheirosa cobiça, viçosa e vaidosa.
Contigo és tu, sou eu.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

genteS


levo genteS perturbada
pedaço de carne desgraçada
sou íman dos mal amados
dos incompreendidos
dos deixados
um fardo deles
uma cruz minha
dai-me pausa 




afugentem esta saga
genteS normais escutai
ainda respiro
respirais?
arejem meu corpo
que passa de peles em peles
num crer que atino
num desenlace desatino
não tarda pego outra
 outra...
epidemia

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Pénis


Vou contar-te uma coisa, ninguém sabe, shiuuu, escuta bem... Tu tens tanto a dizer, mas estás travado, tanto a sentir a dar e a contar,  que ficas apavorado.
Olha, até começas a chorar, descansa, ninguém vê, nem tu vês que incitas tanto o sonhar só de as olhares...
Ei, pareces encurralado, tantas elas, a pedirem o teu amar. E o teu coração começa a bate forte, cada vez mais enclausurado, a garganta a secar e os lábios a pegar, e as tuas lágrimas são as que matam a sede, ao teu desejo a ao delas desesperado. E tu só soas de as olhares... Elas, as que exigem de ti, que sentem para ti, que falam de ti, e que emanam por ti, como parecendo existir por ti. Não sejas tonto! Sabemos que és torto, mas que não queres  só esse mundo a teu lençol!
Ouve, mas não te deixes abater, por aquele que tu já não és, com esse ar acertado, deixa de ser abusado, de te deixares de lado. Elas querem-te sempre içado! Mas se não sabes como fazer, não o faças por zelo, sente só a falta no apelo. Escuta a fala do teu lado, mesmo sem razão, esquece a outra opção, e porque não dizer também "Não!"?
Tem prazer, deixa-te viver, eleva no puro prazer. E elas? Deixa-as dizer, catalogar-te de murcho, frouxo ou mesmo coxo!
Faz só por prazer,
e não contes a ninguém.

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Em todos os lugares o amor acaba


Comecei ontem a odiar o amor pai. Supostamente o amor seria uma coisa boa, não era assim? Porque razão não gosto mais dele? Não o quero! Ontem já não o queria e hoje já o afugento! Ele é cheio de artimanhas que me assustam e me fazem parecer que devo alguma coisa a alguém, uma dívida afigurada a dádiva! E com todo o meu bom senso e minha inteligência assumo esta posição de odiar o amor. Já o odiava ontem e por tamanho descuido foi ontem que o perdi. Perdi o amor que levava na mão, era um pacote embrulhado a papel craft envolto numa corda áspera e fina, que acabava num laço mal feito! Acho que ficou num banco de um jardim onde nunca fui, faz parte agora de uma paisagem que eu nunca vi. Quem pai? Então, o amor! É disso que te estou a falar, do amor empacotado que perdi!
“O amor...”, dizias-me tu, que havia em gentes que davam pouco do muito que possuíam, e havia os que de pouco tinham e davam inteiramente. Confiam? Ou são pessoas confiantes? Haaaa generosos da vida, querias tu me fazer acreditar! Já te disse, odeio o amor e sou bem bondosa quando o afirmo! Aquele pacote era um cofre de ferro pesado que agradeço o ter deixado por lá, naquele banco verde de jardim rodeado de flores que lhes desconheço nome. Para quê saber o nome das flores? Elas são bonitas de se ver, precisaram que lhes sabemos o nome? Disparate, mais um romantismo compulsivo!
Não! Não estou vazia mas sim a esvaziar, nunca a amargar, nem penses nisso pai. Só quero odiar o amor e pronto! Não o quero neste cheiro ou molde ou o que lhe quiseres apelidar! Quero-o com odor a uma fragrância sem nome, sem conexão, sem baptismo, sem significado tatuado. Dessa forma até me pode agradar, mas ontem perdi-o sem remorso. Odeio não ter remorsos! Odeio quem não tem lugar, como as encruzilhadas do amor sem intenção, onde se perde o sentido que se transforma na doença que é o sonhar.
Só quero odiar o amor, sem apontamentos trágicos. Sem abraços de eternidade que sabemos não existir. Nada é eterno, o amor também não, o amor é uma intenção, uma predisposição. E eu não estou bem disposta com ele.
Hahahaha, pai nem imaginas, estou a ver o pacote do amor lá onde o esqueci, no banco, no tal, não sei quê jardim. E são quase seis da tarde está a noite a querer chegar. Está um senhor de tenra idade a telefonar do seu telemóvel para a esquadra local. Imagina pai, suspeita de uma bomba relógio. E se é pai, se é... é o pacote do amor, embrulhado num papel tão simples e enlaçado a guita tão pouco nobre...


"Em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os lugares e a qualquer minuto o amor acaba." Paulo Mendes Campos

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Margem


Se for eu uma passagem, quero que saibas umas coisas, tantas de quem já sabe;
se o meu brilho ofusca na maior noite de luar,
se o meu jeito reguila enche um dia de neblina,
ou mesmo um só meu olhar,
minha pose ou forma de estar,
embebeda quem nem se ousa a encarar,
sem toque, nem afronte, sem confronto minimal,
então eu sou,
sou a tua bola de cristal,
onde vês um mar fresco no verão,
um abraço de outono,
suave vento a acalmar,
um inverno frio amornado,
ou a primavera a mão dada, suja e salpicada,
sou quem te refresca, te aquece, te pinta na paisagem,
sou o teu lume, a água, o vento sem lamento, a terra com raiz,
sou a tua mulher inteira,
sem esquema ou gadelha,
imparável, acreditada,
impagável, amada,
impalpável, sonhada.
Sou tudo o que renegas,
e tudo o que te leva a ti,
sou o teu barco que por si navega,
sou tudo menos uma espera,
sou o que existe a quem se entrega.
Assim percebes agora,
não sou a tua margem,
esse bilhete é noutra paragem,
ouve,
se for eu uma passagem,
esquece o preço desta viagem
e percebe a mensagem.
Mas se de súbito te parecer me quereres,
és vasto e louco,
pois acredito já pouco,
duvidaste, hesitaste, mesmo paraste,
e no vento abanaste a minha barca abalada,
queres-me à margem,
e o meu coração do lodo desse rio partiu,
nesse dia, nessa hora à procura de outra aurora.
Se me eras destinado,
não fiques baralhado,
vais aqui,
navegado a fogo içado,
em mim nada se assola ou se larga,
o meu amor é amado,
marinado, nestas águas velejado,
não são turvas, nem translúcidas,
é um mar a ser estimado.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

há mau...


há minutos marcantes, como corrompidos,

há horas alegres, como estragadas,
há dias intensos, como angustiados,
há meses satisfeitos, como deturpados,
há anos inteiros, como desgastados,
há lágrimas de alegria, como de tristeza,
há beijos amados, como arrancados,
há abraços envolventes, como despedidos,
há sentimentos grandiosos, como dolorosos,
há palavras apetecidas, como enganadas,
há quereres conquistados, como dissimulados,
há estado de sucesso, como de falido,
há amores prometidos, como envenenados,
há bons devaneios, como ânsias disfarçadas,
há momentos de glória, como mágoas em voltar
há,
sou um há!
e quero tanto acordar, desta noite de finados.

domingo, 21 de outubro de 2012

vago

Desde sempre se lembrava de a conhecer. De vista, de sonhos,  de ânsias, de cruzar em algum lugar. Achava sim, que a conhecia, daquela ou de outra vida. Mas conhecia, afirmaria, com quase toda a certeza que enganado não estaria. Ainda assim, deparou-se na questão, seria justo se afinal não a conhecesse? Não, não! Tinha a certeza que a conhecia!  E ali a tinha, parada à sua frente com um ligeiro sorriso nos lábios e um olhar vago, esperando por saber o que aquele lhe queria,
-       Sim?  Diga?
-       (...)
-       Bom, se não se importa solte-me o braço... tenho de seguir.
Como pode, ela não me conhece... pensou, desesperou. Como?! Sempre a  conheci, sempre a quis, sempre a desejei, sempre a ...
Aliviou a mão, ela o olhou, ainda que com desinteresse, e apressou-se na corrida. Entrou no elétrico que partiu de seguida.
...amei
(sussurrou baixinho) 


 

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Anónima tesão


Anónimo, dás-me tesão!
Hoje acordei molhada por ti na esperança de me deitar já húmida contigo. No fundo tu fazes sentido. Dás-me dedicação solvida em tesão. Roubas-me a atenção, obrigas-me a desejar-te. Como te odeio, renego este prazer vazio, este sentido vadio. Fazes-me esperar por ti como quem olha aguardando um alguém. E seres o anónimo suspeito que és. Quanto te odeio! Quilos de desilusão por não saber quantos são. Serás tu um só a servir um só coração? Ou serás para tantas outras então?
Ouve anónimo, dás-me tesão!
Vago anseio, carregado de toda a razão, afinal também és solução, és afago e perdão. Quem sabe alguma paixão. És desprezo por tua existência, és sorrisos cínicos com certeza,  és falta de olhares cerrados ou abraços apertados. Quanto te abomino! Quanto és de fascínio. Assolas o estar, violas o ser. És mesmo obscuro falhado, mistério falado, post partilhado.
Escuta bem anónimo, dás-me tesão!
Esta espera é sem fim, não sei quanto tempo foi, quanto será por inventar, não sei se de noites deixas ou de dias enches, és abandono que nunca vai, és volume que nunca sai! Tens formato em mancha escrita, desconhecido que acorda quem nunca adormece, durante uma guerra sem luta. Deixa rasas feridas, onde nada há para desinfectar. Quanto te detesto! E nem por isso te desmistifico. Serás o que eu quero ou o que eu preciso?
Lê-me anónimo, dás-me tesão!  


Pretty


bem picante que é o que me está a apetecer...
poderia escrever, vão-se foder, mas não me ficaria bem, logo não escrevi, ignorem por favor.
Hoje, como muitos outros dias, a dedicação ao que quer que seja não me chega. Vão-se foder, diria o Luís que honra qualquer palavrão e ainda se ri dele mesmo. E eu? eu o que quero mesmo é rir de mim e de todos. Sim de ti também que não te conheço ...e não me encham a tola com coisas pouco importantes, nem em forma nem em estilo! Vai daí que não têm mais que fazer? Eu não tenho! E só quero rir-me disso...


domingo, 7 de outubro de 2012

60


(Este Post foi criado para um blogue que é de todos os que se atreverem a dar-lhe vida pela continuidade. Foi escrito ao sabor criativo de um número como título, o 60. Será publicado no blogue "E aí vai ele"- ofereco-te-este-blog )

Pensava como seria aos 60, estava agora com 40, via-se a meio de um livro escrito. Não cogitava se estaria bem ou mal lavrado, sua bíblia redigida era uma catástrofe de alegrias e mais umas avalanches  de tristezas oprimidas. Como seria aos 60...
Apagou a luz do pequeno candeeiro de quarto, e a escuridão era clara, o coração bateu em compasso nervoso e a cabeça iniciou a fervura de uma panela de pressão. Enrolou-se aos lençóis que depressa iriam aquecer e falou baixinho, “como vou eu amar?, como vou eu amar??? deita-te comigo medo, mas não me contes mais mentiras, fica somente aqui perto, encaixa-te no meu corpo, bem sabes que não sei viver sem ti, não sei viver sem ti... mas não me ampares porque não será desta a minha queda, não vês? Estamos nesta cama, e tu estás agora envolto neste corpo por amar.”
E o medo respondeu-lhe,  “não consigo fazer-te amar, se a mim que sou o teu medo me fizeres acreditar. Aqui, no escuro, este reino e domínio é meu, se bem queres, aqui consigo fazer-te desejar, aqui no sombrio tenho o poder de a ninguém desprezar. Fecha os meus olhos e eu verei esse teu querer, este que te sinto agora neste abraço que sufoca. Conto-te que o amanhecer virá, dar-te-ei o que julgas certo, na que será claridade pardacenta. E na boa luminosidade nunca desistas desse lutar, desse saber se se sabe amar. Depois desistirei de ti e de te aconchegar, como agora, com a nova luz  quase a chegar. Pois tão cedo eu não vou voltar, nestas últimas horas de luar. Shiuuu o sol vai raiar e eu vou fazer-te sossegar.”