Este pêlo branco

Aqui, nesta montanha batem os primeiros matinais raios de sol e quando este desce e se apresenta o luar tem-se a sensação de que nada se apresentou diferente do que já foi, do que é ou que poderá vir a ser. Não espere nada, nem deslumbramento nem desilusão, não é essa a brancura que se pretende.
Anseie o nulo para que atinja o supremo início do tudo de novo.
Muito gosto,
Cabra Branca.

sexta-feira, 30 de março de 2012

naquela praia


Podemos ser segredo?

Um daqueles que nem nós conhecemos?

Chiu...

Tu és um segredo sem hora certa,

uma verdade sem essa,

uma vida paralela,

num sem tempo para essa,

duas vidas demarcadas,

um vidro,

um espelho do mesmo desejo,

chora,

chora agora,

e choramos...

chorámos...

agora,

mais lentamente,

corre em fio,

naquela praia

choro,

choro agora,

não demoro,

não demores.

Toxic...os

“Querido você não vê?...
Estou-te chamando...
(Sou) arma tóxica,
estou derretendo...
Com o sabor de um paraíso
de veneno...
(ficou) tarde...
para me livrar de você.
Dou um gole
no copo do demónio
Com o sabor dos (meus) lábios
entro numa viagem...
Com o sabor a um paraíso,
de veneno...
Intoxique-me agora,
Com o seu amor,
(Com o seu veneno)
Intoxique-me agora.
Agora”

quinta-feira, 29 de março de 2012

terça-feira, 27 de março de 2012

desenlace

divides,
chegas para quem quiser-te partilhado,
mas há quem só quer o abraço,
há quem só quererá imaginar-te existido,
quem só quis um dia sem te rasgar,
querer que tu quisesses,

sem dividir.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Só de pé, no topo da montanha, que dá vista para o mundo, tenho o cheiro...

“A que cheira o desejo? O romance? O prazer? O amor? A que cheira o gosto de sentir?”

domingo, 25 de março de 2012

Esta noite,

cheira a flores.
Sábado choveu, embebeu as raízes, tirou-lhes a sede.
Esta noite, esta de domingo,
cheira a flores...


sábado, 24 de março de 2012

Olhe



Olá, chegada agora do meu segundo trabalho, sim porque uma Cabra licenciada em tudo, nem só de vender corpo a pequenos aprendizes é feliz a pagar contas!
E dizia eu, olá,
Olá, venho assim indignada, diga-mos que, extasiada pela estupidez, envolta em papelotes amargos de estupefação! Talvez esclarecida ou mesmo quase, quase convencida de que os homens perderam todo o seu sex appeal!
Declarando sem mais rodeios as palavras de minha outra amiga Cabra “tu tens uma malha muito larga!” Nem mesmo com a malha que uso, que sim passam tubarões!, aguento grosseirisse de certa camada "machal".
Armado a graçolas ou metido ao pingarelho o jeitoso:
Vejamos;
- Olhe traga-me o picante! (se faz favor????? NADA!)
demorei, nada de pressas (para quem não sabe ser educado)
- Olhe lá, o picante?
- Desculpe, peço desculpa.
- Não quero desculpa, quero picante!
Veio o picante...
- Olhe, traga-me também uma coisa dessas para eu beber aquilo!
- Quer um copo para beber chá, é isso?
- É, é, é isso!
Veio o copo com uma colher de chá .
- Olhe (este olhe subia-me o pelo) para qué isso? (Elevando na mão a colher de chá)
- Bom, se arma não é, calculo que seja uma colher para encher de açúcar e mexer o seu chá!
Pergunto;
Mas o que é isto pá????

Nuno


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Nuno.
Nunos, Nunos conhecidos, Nunos desconhecidos, Nunos familiares, Nunos...
anónimos Nunos.
Nunos de nome, Nunos da vida, Nunos atrevidos, Nunos conhecidos, Nunos esclarecidos, Nunos ofegantes, Nunos inconstantes,
Nunos...
existem, eles o há!
Nunos.
Chove devagar, cai lenta,
as pingas,
pingas.
Nuno...
O sol descobre, abrem as nuvens, intimida a chuva envergonhada e faz nascer o arco-íris. Perfeito começo,
perfeito fim.
Nunos.

quarta-feira, 21 de março de 2012

100 ou Sem...

presente?


Sinner, SEM te saberes conhecedor de um suposto prémio,
foste o número CEM dos seguidores da Cabra Branca.
A Cabra é uma querida e surge-lhe assim ofertas surpresa!

Será o que TU quiseres...
Terás tu desejo de tal presente?
mas... (existe sempre um safado "mas")
pergunto à audiência sabedora deste blogue,
se
serás merecedor de 100 desejos ou Sem desejo algum.
Está na mão deles a tua sorte,
sempre podes "meter cunhas"!

a teu desejo deixa claro o que pretendes usufruir enquanto sorteado.
...e Boa e deliciosa viagem!!!

terça-feira, 6 de março de 2012

O homem das calças amarelas .4



Sem chegar ao culminar da excitação, deu um só leve gemido em fase platô. Despertara serenamente, sentindo a sua pele escorregadia pela humidade intensa do banho. Foi abrindo os olhos lentamente, na mão viu abrigar-se o seu genital ainda palpitante de cio. O que sentiu dependeu do que procurou naquele breve descansar. Levantou-se e abandonou o banho turco.

Já perto das cabines do duche apercebera-se que afinal ainda um deles cantava a melodia da chuva. Entrou no do lado para finalmente se banhar. Encheu as mãos de gel duche e afagou-se com apetite, cadenciadas pingas de água temperada a beijarem-lhe o couro, massajando-o com vontade. Entregava-se assim aquela água, alagando a boca, saciando a secura que o consumia. Lavava tudo. E tudo escoava pelos seus pêlos escorridos, alguns já caídos, abandonavam-no assim, supérfluos ao seu ser pelos riachos que abraçavam outros caudais vindos do outro lado do vidro fumado, baldavam-se juntos pelo cano, por de baixo das pequenas nuvens de espuma.

Atento ao vidro, fixou o vulto vizinho, apreciou, tocava-se, sim, assim lhe parecia o fulano, um ritmado movimento que abrasava alento com entusiasmo amásio. Mirar excitante aquele, afogueava-lhe o olhar. O vizinho sabia-o a admirar e poliu furor no dar, uma cumplicidade brava, um acumular de tremor, que não dera espaço nem tempo, sem reflexão, sem consentimento, o vulto a sua cabine desonrou. Penetrou, ali agora sem fronteira transparente, sem alheia suposição, os dois num perfeito contemplar em anseios de elevar. Um vulto tornado nítido, um assaltante libertino, um verdadeiro desatino. O gatuno sem pressa, percorreu todos os poros que lambeu, abocanhou e sorvou. Que subiu e desceu por ele, acendeu todos os sentidos, alcançou, deslumbrou e aturdiu.

O meliante saiu e o homem das calças amarelas ficou. Sossegou uns minutos, repousou sobre os azulejos lilases do duche. Um sorriso inaugurado nos lábio e uma vontade diferente num rosto agora engraçado. Enrolou-se à toalha e saiu da cabine. Abriu o cacifo, vestiu-se e enfiou toda a tralha usada no saco.

Passou pela recepção, olhou de soslaio a rapariga que fechava as contas do dia, nem boa noite lhe bolçou, subiu os degraus que o levavam à saída em corrida apressada e cruzou-se com o invasor. Estava encostado à porta, como quem espera alguém. Um sorriso partilhado e a caminho do seu carro ainda ouviu:

- Vamos amor?! Podes fechar, já não há mais ninguém no ginásio.