Este pêlo branco

Aqui, nesta montanha batem os primeiros matinais raios de sol e quando este desce e se apresenta o luar tem-se a sensação de que nada se apresentou diferente do que já foi, do que é ou que poderá vir a ser. Não espere nada, nem deslumbramento nem desilusão, não é essa a brancura que se pretende.
Anseie o nulo para que atinja o supremo início do tudo de novo.
Muito gosto,
Cabra Branca.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

fá-la Dançar

Recorda-te ao entardecer, quando galgavas lances de escada, degrau atrás de degrau, uma subida perpetua, sonhando naquele abraço apertado, dançando em beijos trocados, tocando ao som de afagos, perdias-te nela.

Falavas-lhe calado no balanço dos corpos, enrolavas os dedos em demorados cabelos, desnorteavas-te no embalo nela e ela achava-se em ti, quando lhe sussurravas a beleza, veneravas-lhe o corpo e a beijavas mais de mil vezes. Dançavas e ainda danças, dançavas e dançarás sempre naquele escurecer. Dançavas a dança do querer, desaparecias no tempo, deixavas outras portas de afecto e alcançavas desejos ansiados tatuados nos teus dedos. Dançavam e dançaram agarrados na músicas do que é.

Quem soube não foi só quem subia e quem estava na subida, sabe o chão encerado, onde as solas gravaram LPs de paixão.

Ela dança, dança agora na tua cabeça. Tu danças as danças da mudanças. Dança, dançou o que o ensejo elevou. E a dança ficou. A dança que te recorda no amanhecer.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Assusta!?

“Aos 20 a mulher tem espinhas, aos 40 tem pintas, encantadoras trilhas de pintas, que só sabem mesmo onde terminam, uns poucos e sortudos escolhidos. Sim, aos 20 a mulher é escolhida, aos 40 é ela quem escolhe. (...)Também aprende a se perfumar na dose certa, com a fragrância exacta. A mulher aos 40, mais do que aos 20, cheira bem, dá gosto de olhar, captura os sentidos, provoca fome.

Aos 40, ela é mais natural, sábia e serena. Menos ansiosa, menos estabanada. Até seus dentes parecem mais claros. Seus lábios, mais reluzentes. Sua saliva, mais potável.. e o brilho da pele não é o da oleosidade dos 20 anos, mas pura luminosidade. Aos 20 ela rói unhas, aos 40 constrói para si mãos perfeitas. (...)

O que mais assusta é que nenhuma mulher lhe vai perguntar o que está a sonhar, pois são só sonhos e isso não a preocupa...” Filipe Veríssimo


O sonho comanda a vida, escreveu Fernando Pessoa, um eterno adolescente com uma personalidade original, incondicional romântico que criou e recriou um mundo próprio, num espírito rico e paradoxal que não se podia resumir a uma só personalidade.

Aos 20 as mulheres, ao lado deles, querem sonhar com eles, crescer com eles, aventurarem-se com eles, descobrir mundos com eles. Aos 30, temem pelos sonhos deles, duvidam dos compromissos deles, detestam as certezas concretas deles, abominam a julgada maturidade deles. Aos 35, confirmam a veracidade dos sonhos deles, embasbacam com a força de vontade eles, empalidecem com as acções deles, fervem roxas de raiva das afirmações deles. Aos 40, não ligam e muito menos questionam os sonhos deles, lá querem saber se aos domingos pela fresca andam de bicicleta cumprindo um estilo de vida saudável, desde que na noite de Sábado lhes dêem de jantar fora de portas e as comam dentro de portas! Se vão gastar um balúrdio de guito num bilhete pró futebol, se as encantarem no dia seguinte com a ida ao teatro, se vão para uma noitada de copos ou jogar poker a pagantes, se lhes ofertarem um fim-de-semana numa escapadinha cá dentro, ou lá fora, é preciso é escapar! Mas aos 40, aos 40 quem é a mulher que quer pagar o preço de sonhar o sonho deles aos 50?

Meu amigo Filipe, obrigada por tão acarinhado post.

domingo, 20 de novembro de 2011

Olh(ando)

Não devemos desculpas um ao outro, nem ontem, nem hoje, nem amanhã, a desculpa é uma palavra improdutiva em certas situações, esta é uma delas. Não temos de pedir desculpas pela paixão a alguém. Paixão, essa palavra ingrata, frívola até pelo tempo que nos oferece.
A vida, com ela não devemos ficar contentes, alegres, tristes ou mesmo fodidos, a vida é o veiculo onde transportamos o nosso ser numa aprendizagem a tudo, todas as folhas deste livro são para ser folheadas, lidas e acrescentadas. Nós? Nós somos uma página de um qualquer capítulo que nos fascinou ler, quando quisermos reler, já todas as letras que preenchiam frases mágicas, sensuais e inebriantes de luxúria, recolheram-se, evaporaram a cada passagem anterior dos nossos olhos. Ficou na memória, ficou na memória...
Os segundos, cada segundo vivido foi intensamente sublime, cada minuto esperado será dolorosamente detestável. Um adeus um até qualquer dia, até logo ou mesmo um até já, não tem peso temporal, tem sim emocional, infecunda esperança em aberto, estéril saudação, enferma saudade de uma felicidade infrutuosa.
Esvaziar a mente como a uma garrafa de vinho aquecida, pensar em asneiras, fustigar ideias, chatear as recordações do pouco tanto que foi, dificultar o que um dia será. Decidir sem hesitar, falar alto para se ouvir, chatear quem finge nos ouvir.
O tempo? embebeda-se em desculpas das horas, dos minutos, no segredo dos segundos.
Respeito. Respeito-te.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Fico

É um adeus de chegada, uma surpresa não esperada, uma invasão não planeada, é a música que não se ouve, o rascunho que não se lê, um envelope fechado de porquês. E tu quem és? Quem és tu, e tu e mais tu? Quem são vocês afinal? Receio porque me quererem saber. Na rua não me olham nem muito menos me falam, não me dizem à luz do dia um olá, um adeus, nem me dão beijos quentes ou arrefecidos, nem encharcados ou molhados, nem húmidos ou desagasalhados! Quem és tu aqui, nesta caixa apertada? Quem és tu, e tu e mais tu? Quem são vocês afinal? Eu? Eu sou o vulgo do mundo de um outro lado, o desejo andado o abraço agoniado. Sou a mão de outra mão, sou a mãe de futura mãe, amiga de quem, parasita de alguém, amor que tem, sou eu e sou tu. Sou o rosto de uma só face, um corpo que fala só. Uma voz sussurrada num ouvido mouco. Sou suspiro ansiado, gole apertado, choro entranhado. Sou lágrima denunciada quando ao longe me dizes, és tu afinal! Eu? Eu sou anseio teu e desejo meu, sou um Adeus que fica, chegada desespera num abraço apertado, e na despedida sinto sofrida o preço que não me leves.
Para onde vais, leva-me... leva-me ao de leve, ao colo, e não me largues, não abras as tuas mãos cegas, não me percas nas linhas deste tempo. E os olhos, os teus olhos perguntaram afinal, quem és tu, e tu e mais tu? Quem são vocês que andam nesta caixa apertada?!

domingo, 13 de novembro de 2011

em ti and I

quatro da manhã, hoje era diferente, era já Sábado, um Sábado. No sobressalto da perca do cartão do parque de estacionamento do Lux , vinha agora com licença a passar todos os semáforos da Avenida de Berna que se apresentavam verdes. O vazio da noite e a humidade na estrada espelhava-a tornando-a no caminho do sentido, guiava-me na incógnita de ti, conduzia sozinha ao encontro do que seria.
E dispo, tiro cada peça de roupa fedenta a tabaco. Nua, a água corre quente pelos meus cabelos encontrando um corpo bebido. Abraças-me e sinto-te no meu pensamento, as gotas dão-me beijos quentes, beijo-te beijando a água que escorrega pela face e descobre os meus lábios. Fecho os olhos e olho-te, céus e como me olhas... estavas online. O que te faria? Queria-te debaixo desta chuva aquecida, segredar-te-ia o imprevisto do impossível , e tu conseguirias transpô-lo por mim, roçando na demência do descuido dos teus lábios nos meus, e percorrerias terras de mim, altearias conquistas de guerra em toda a minha extensão, e beijarias o beijo da água que já vai em cascata entre os meus seios, encontrando a foz do aceso de mim. E faço-me diva da água de cano, fantasio na minha igual demência, e é tão bom por parecer verdade.
Deito-me, recebo-te, envolvo-me nos teus braços fortes, sinto-me segura na ponta da corda. Adormeço, acordo, sentada na tua corda segura, aninhada nela, tacteio a teia da tua pele, o corpo que te assiste como a Júpiter e fito-te de pujança, suspiro e respiro, suspiro aconchego... Não quero acordar...
E eu acredito em ti e em mim porque somos o sonho, a fantasia, o desejo devaneio, o nosso desatino desassossego.

sábado, 12 de novembro de 2011

Candidatos a Martinhos


Neste dia de São Martinho ia bem beber um copinho? Alguém quer ir? Candidatos esperam-se.


E antes de publicar este "desafio", o telefone tocou. - estou a dois minutos de tua casa, tens planos para hoje? Sei que não, vou ter contigo!, e nem mais um minuto, em menos que isso a campainha tocou.
- Tão lindo que és! Só mesmo tu! Que queres?
- Vá vai tomar banho vamos sair daqui!
...e assim foi, são quatro e meia da manhã e liguei o computador e quem eu desejava ainda estava online, vai daí que vos conto a noite amanhã, quer dizer, hoje, mas mais logo.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Beijo dorme-nte

Mas porque não páras? Porque não te assumes? Porque não deixas cair a máscara? Diz-me o que me queres! Diz o que realmente queres! Não apareças e desapareças... Jogas comigo... Seguras-me mas não me agarras... sussurras-me mas não me beijas... chegas-te mas não te encostas... Tocas-me mas não me prendes... Prendes-me mas não me enlaças... Que desatino!
Anda, sai da minha cama! Deixa-me dormir que eu não te quero! Sai!
Que estás a fazer? Volta! Não me aqueças e arrefeças. Segura-me mas não me agarres... chega-te a mim mas não te encostes... Toca-me mas não me prendas... Prende-me mas não te enlaces... Tu não podes... Não deves... Eu não quero! Apetece-me mas não posso... posso mas não devo...

Envolve-me, segura-me, aperta-me, encaixa-te, oferece-me os teus lábios, toca-me, estimula-me, provoca-me... segue-me no sonho que eu ilumino o caminho...

Deixa(s)-me dormir!?

domingo, 6 de novembro de 2011

VOU MANdar!

É oficial, vou concorrer.
PIXEL será o CONCURSO DE PEQUENAS HISTÓRIAS LGBT, que terá agora a sua primeira edição. O concurso vai decorrer entre 1 e 20 de Novembro de 2011, fica subordinado ao tema “Good friends are hard to find” e as regras são as constantes do pequeno regulamento que se segue.
Apresento o cartaz de divulgação e desde já fica feito o convite para participarem, acompanharem e divulgarem o concurso.

AQUI ESTÃO AS REGRAS

sábado, 5 de novembro de 2011

Hop on Hope

Amantes duma outra vida, a ti, ontem vi, encontrei-te entre mil braços de mais de mil dúzias de gente. Amanhã, ao teu lado, confundir-me-ei entre essa gente, naquela rua onde nos conhecemos desde sempre. Anda, anda para aqui, ao meu lado ao teu lado, na rua onde moro chamada sonho que te senti. A outro vi tua figura que ainda desconheci.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Once Upon A Time

Ecoava trovoada no céu escuro, Antónia escrevia, declarava carácter, em texto confessava. O marido acabava de adormecer e as filhas há horas repousavam. Ali, sentada na marquise adaptada, olhava para a janela do seu portátil e escrevia em confidência de suas culpas. Questionava entre parágrafos de que seria recheada, se de areia molhada ou de palha enxuta? Arrependimento? Não sei se Antónia sentia, ela própria admitia em desengorduradas frases declarava, sem restrições a pormenor, se dispunha a sua aura infeccionada. Estaria enferma? perguntava, nunca para ali se alvitrara. Mas naquele dia tinha sido ultrapassada, como ela odiava! E em palavras corroídas, execrava as outras, todas iguais a ela, todas em vidas falseadas, enganavam seus desventurados maridos que falhavam em tropeços de exactidão. Infelizes bobos esposos, homens de carreira, com sapiência certeira na economia global, mas zero na emocional. Infelizes bobos cônjuges, homens de carteira... Antónia redigia, com sarcástica poesia, como as outras putas seriam. Belas amantes, roliças extravagantes, borradas nos maquilhantes, mas ela, ela a todas comia, a todas julgava que estornaria na sua suposta supremacia.
Antónia por cima do teclado adormecia a sua sobrancelha no Delete tocaria.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

chato

- Chato..., Lucília, estou aqui a pensar...

- Em que pensas?

- Então, já batemos a tanta porta...

- É só doces, não é ? Então é bem bom, ou menos mal... Tu querias travessuras, certo?!

- Não.

- Não !?

- Não ligo...

- ...?

- Queria mesmo era sentir o sabor desta bola de neve que estou a chupar, já não têm o mesmo gosto de quando éramos miúdas! Que aborrecido...