Bateu sem ritmo, um descompasso a nó de mão glacial, o desconhecido tremendo fazia-se anunciar. Ela inspirou forte, lançou os fios de cabelos para trás das costas e fechou por momentos os olhos. Abriu a porta devagar para não se atraiçoar na pressa. Ele e Ela, olhos de regalo ao primário mirar. Respirar oprimo, partilharam o impulso num olá profundo, os sorrisos iluminaram-se, ele a contemplou, a um Miró a emoldurou, ela o admirou ao som de If I ever lose my faith in you, cantado a Sting. Entrou com afogo, agitado por dentro, constrangido por fora, um medo terrível de errar preencheu-lhe a intenção. Achou que falar do frio seria um excelente começo, mas percebeu o crasso, qual frio, queria no fundo abanar-se pelo calor que lhe subia pelo peito, pelas costas até à nuca, onde se sentiu suar, ela era linda e continuava sorridente, um sorriso anexo a um olhar mortífero que o atrapalhava. Vislumbrava-a altiva, segura e mordaz, aquela atitude percebera-se ao vê-lo inseguro, ele se desmembrou, não sabia se haveria de esconder as mãos ou mesmo todos os membros. Acalmou a ansiedade na oferta de um copo de vinho tinto. A cada trago de Poeira Douro relaxava pressentimentos e a conversa fluíra.
Sentaram-se na meticulosa mesa preparada, ao repasto atiçaram papilas, degustaram sabores e palavras ornamentadas e já no sofá prolongaram sinónimos e antónimos de quem escaldantes desejos tem. Enrolaram-se ali mesmo, naquele sofá rato, beijaram-se sôfregos, atrapalharam-se na mistura lasciva de tenções há muito aguardadas e caíram no chão que nem dois troncos cortados pela força de um machado. Iniciou o embuste aos trajes já repuxados e frouxos, lassos por tamanhos amassos, arrojaram os corpos sedentos pelas tábuas envernizadas e sucumbiram-se na larga cama de lençóis tenros. E beijaram-se sem tempo, sem termino imposto, beijaram-se, decaparam a saliva as peles pantanosas, beijaram-se e beberam-se, encharcaram-se de tesão na intenção do cume supremo... Mas não, não passou da confirmação, do susto que se previa, nada acontecia, ele não conseguia, a cama ali se perdia, morto ficou, vivo não voltou, transfigurou, sobre o ar de graça abatera-se a desgraça, sem graça alguma ela moralizou, haveria razões que a própria razão armada a certa desconhecia.
Lamentaram, levantaram esteira, sem eira nem beira. Talvez, quem sabe, talvez um outro dia.
Cabra,
ResponderEliminarTantos caminhos se percorrem, são tantos os becos que so se confirmam ao vivê los, mas, uma coisa dou te por certo, a vivência, essa, é impagável.
Valeu bem a pena a espera. . .
Continuo a ler . . .
como sempre, surpreendes me pela positiva, grande, mas grande final.
ResponderEliminarÉs grande minha Cabra
beijos fabulosos em ti
fuiiiiii! isto está mt literário para eu me meter ctigo! prá próxima vou ver se te pego por esses cornos brancos! beijo!
ResponderEliminarEnviei-te um e-mail.
ResponderEliminarbjs.
Cabra:
ResponderEliminargosto muito de te ler. Gostava de ir para a cama contigo!
Faltou viagra?
ResponderEliminarBelíssima história de final surpreendente em cumes escalados.
ResponderEliminarBeijo bem ao jeito do Everest
:)
Cabra,
ResponderEliminarVisto que a Joana Matias quer ir para a cama contigo venho te perguntar se nao poderei eu ir para a cama com ela, é que tb adorei lê la. . .
Quero agradecer a todos os quantos seguiram e comentaram a "rapariga standby" não faz o meu estilo post´s tão longos, sei que não há tempo para postagens de mais de meio metro!
ResponderEliminarAinda assim, com o vosso apoio sei que conseguirei segurar a vossa atenção/dedicação/CARINHO!
Obrigada do fundo deste meu coração
Beijo-vos a todos sem excepção, agora quanto a cama é outros 500
A vossa CABRA.
Pode não ser o teu estilo ... mas está mt bom!
ResponderEliminarFaz nos desejar que talvez um dia consigas reescrever este final!
Viciado, rescrever... seria bom rescrever certos finais.
ResponderEliminarBeijo-TE
Podem leigos não ter encontrado graça! Podem homens pequeninos nem se identificar, dizendo que másculos eles são apenas e nada mais do que isso!
ResponderEliminarMas os amantes, os românticos, os verdadeiros apreciadores de vida, já terem sentido na pele o quão incómodo se pode tornar uma situação dessas...
Serei eu um bom amante? Serei eu um mero mortal que ousa procurar e abraçar todas as alegrias que a vida me pode dar?
Julgo sim ser um deles...
Bianca, se há bem escrever, por vezes um pouco abstrato, mas lindo de imaginar, é este!
Parabéns, lindo, lindo, lindo está!
Beijo
Vulcano, serás o que as tuas mulheres acharem de ti meu Vulcano.
ResponderEliminarE obrigada por achares lindo,lindo,lindo ainda que abstracta o meu escrever.
Beijo
Final diferente este... na blogosfera vermelha.
ResponderEliminarMas como este blog é arco-íris e está bem ligado à terra, diria que... é um fiel retrato recorrente.
Ps: excepção feita a mercenários da arte fodenga
Foxos, ser diferente, quando pela positiva, é por si só tão bom!
EliminarAqui esta blogosfera tem cores mediante os dias, tem dias, portanto...
Quanto ao final, fiel ou infiel retrato, é o que é! Há que saber gerir todas as situações, isso é experiência de vida ou saber viver.
Beijo-te
Que final!
ResponderEliminarClumsy, fico contente por teres gostado. :)
EliminarBeijinho