o que fora o passado poucas razões deixara para lhe motivar o presente, certo era
que o sentido perdera-se. Aguardou por ele como sendo um amor de futuro,
privou-se de outros amores, passou a desconhecer a própria palavra – amor – e um
dia ele chegou. Vinha carregado de mentiras, pois não tinha como mostrar a
verdade, nem como enterrar o passado. E veio ele, disfarçado em posturas,
igualado a um presente só com caixa embrulhada. Lá dentro, recheava-se a vazio,
por incertezas do que se andava a fazer. O amor.
Estavam
ali acreditados disso, sentados no centro da sala, num requintado restaurante,
duas secas criaturas. Repastaram surdos, engoliram mudos, afinal não se
conheciam, já mais se viram. Ainda assim à mesma mesa comiam vidas vagas, passadas, jantavam mágoas, naquela
elegante mesa. A toalha, imaculadamente branca, tal como o prato, os
talheres cintilavam espelhando dois rostos consumidos por uma espera iludida e os copos brilhavam do lustre passado pelo pano macio, o que os
livrara de qualquer impressão digital. Nada se sentia ou fazia sentido, nada aquecia, nem deixava
rasto, muito menos nódoa. Oooh como uma nódoa faria toda a diferença sobre o
prezado requinte. O cuidado a mais a não ser magoado, um argumento pouco sujo, pouco lavrado, muito menos rubricado, nem a gordura, nem a um só odor ou suave aroma a amor... falhou, não morava, nunca morou, para quê o ter
esperado? Arrogância, altivez, quem sabe uma enorme estupidez!

























