A tua voz...
lembra-me tudo o que és que eu não conheço, já tem um fim sem começo. Desejo
deitar-te neste colchão, és um alguém que aquece a quem aqui está e te
desconhece, mas espera delirante um tal belo amante. Todos sabem, sem
medo, os que já foram, embora a nenhum lhes chegou um fim. Tu podes ser o meu império, promessa séria, entre quem te leva a este chão, sem magoar, uma e
outra vez, mil vezes sem ilusão, quero ouvir essa voz, guarda-la em mim e
perde-la tantas vezes e depois sempre a encontrar.
Pega em
mim, eu não quero saber, eu não quero saber que estranho és. E sempre que
venhas amante, tira-me, leva-me daqui e recorda que já vieste tantas outras
vezes e viajaste quilómetros dentro do que sou. Se um dia tiver
fim, não existe quem não se conhece, és alguém que volta sem nunca ter chegado a vir ou mesmo a partir.
Podes ser
tudo, sem desculpas, altos ou baixos, não quero saber, só quero uma luz que
não se apague, só quero mesmo cair neste colchão, percorrer um milhão... de mim.





























