Aqui, nesta montanha batem os primeiros matinais raios de sol e quando este desce e se apresenta o luar tem-se a sensação de que nada se apresentou diferente do que já foi, do que é ou que poderá vir a ser. Não espere nada, nem deslumbramento nem desilusão, não é essa a brancura que se pretende.
Anseie o nulo para que atinja o supremo início do tudo de novo.
Vou contar-te uma coisa, ninguém sabe, shiuuu, escuta bem... Tu tens
tanto a dizer, mas estás travado, tanto a sentir a dar e a contar, que ficas apavorado.
Olha, até começas a chorar, descansa, ninguém vê, nem tu vês que incitas
tanto o sonhar só de as olhares...
Ei, pareces encurralado, tantas elas, a pedirem o teu amar. E o teu
coração começa a bate forte, cada vez mais enclausurado, a garganta a secar e os lábios a pegar,
e as tuas lágrimas são as que matam a sede, ao teu desejo a ao delas desesperado. E tu só soas de as
olhares... Elas, as que exigem de ti, que sentem para ti, que falam de ti, e que emanam por ti, como parecendo existir por ti. Não sejas tonto! Sabemos que és torto, mas que não queres só esse mundo a teu lençol!
Ouve, mas não te deixes abater, por aquele que tu já não és, com esse ar
acertado, deixa de ser abusado, de te deixares de lado. Elas querem-te sempre içado! Mas se não sabes como
fazer, não o faças por zelo, sente só a falta no apelo. Escuta a fala do teu lado, mesmo sem razão, esquece a outra opção, e
porque não dizer também "Não!"?
Tem prazer, deixa-te viver, eleva no puro prazer. E elas? Deixa-as dizer, catalogar-te de murcho, frouxo ou mesmo coxo!
Comecei ontem a odiar o amor pai. Supostamente o amor seria uma coisa
boa, não era assim? Porque razão não gosto mais dele? Não o quero! Ontem já não
o queria e hoje já o afugento! Ele é cheio de artimanhas que me assustam e me
fazem parecer que devo alguma coisa a alguém, uma dívida afigurada a dádiva! E
com todo o meu bom senso e minha inteligência assumo esta posição de odiar o
amor. Já o odiava ontem e por tamanho descuido foi ontem que o perdi. Perdi o
amor que levava na mão, era um pacote embrulhado a papel craft envolto numa
corda áspera e fina, que acabava num laço mal feito! Acho que ficou num banco
de um jardim onde nunca fui, faz parte agora de uma paisagem que eu nunca vi.
Quem pai? Então, o amor! É disso que te estou a falar, do amor empacotado que
perdi!
“O amor...”, dizias-me tu, que havia em gentes que davam pouco do
muito que possuíam, e havia os que de pouco tinham e davam inteiramente. Confiam?
Ou são pessoas confiantes? Haaaa generosos da vida, querias tu me fazer
acreditar! Já te disse, odeio o amor e sou bem bondosa quando o afirmo! Aquele
pacote era um cofre de ferro pesado que agradeço o ter deixado por lá, naquele banco
verde de jardim rodeado de flores que lhes desconheço nome. Para quê saber o
nome das flores? Elas são bonitas de se ver, precisaram que lhes sabemos o
nome? Disparate, mais um romantismo compulsivo!
Não! Não estou vazia mas sim a esvaziar, nunca a amargar, nem penses
nisso pai. Só quero odiar o amor e pronto! Não o quero neste cheiro ou molde ou
o que lhe quiseres apelidar! Quero-o com odor a uma fragrância sem nome, sem
conexão, sem baptismo, sem significado tatuado. Dessa forma até me pode
agradar, mas ontem perdi-o sem remorso. Odeio não ter remorsos! Odeio quem não
tem lugar, como as encruzilhadas do amor sem intenção, onde se perde o sentido que se transforma na doença que é o sonhar.
Só quero odiar o amor, sem apontamentos trágicos. Sem abraços de
eternidade que sabemos não existir. Nada é eterno, o amor também não, o amor
é uma intenção, uma predisposição. E eu não estou bem disposta com ele.
Hahahaha, pai nem imaginas, estou a ver o pacote do amor lá onde o
esqueci, no banco, no tal, não sei quê jardim. E são quase seis da tarde está a
noite a querer chegar. Está um senhor de tenra idade a telefonar do seu
telemóvel para a esquadra local. Imagina pai, suspeita de uma bomba relógio. E
se é pai, se é... é o pacote do amor, embrulhado num papel tão simples e
enlaçado a guita tão pouco nobre...
"Em todos os lugares o amor acaba; a qualquer hora o
amor acaba; por qualquer motivo o amor acaba; para recomeçar em todos os
lugares e a qualquer minuto o amor acaba." Paulo Mendes Campos
Desde sempre
se lembrava de a conhecer. De vista, de sonhos, de ânsias, de cruzar em algum lugar. Achava sim, que a
conhecia, daquela ou de outra vida. Mas conhecia, afirmaria, com quase toda a
certeza que enganado não estaria. Ainda assim, deparou-se na questão, seria justo se afinal não a conhecesse? Não, não! Tinha a certeza que a
conhecia! E ali a tinha, parada à
sua frente com um ligeiro sorriso nos lábios e um olhar vago, esperando por
saber o que aquele lhe queria,
-Sim? Diga?
-(...)
-Bom, se não se importa solte-me o braço... tenho de seguir.
Como pode, ela não me conhece... pensou, desesperou. Como?! Sempre
a conheci, sempre a quis, sempre a
desejei, sempre a ...
Aliviou a mão, ela o olhou, ainda que com desinteresse, e apressou-se
na corrida. Entrou no elétrico que partiu de seguida.
Hoje acordei molhada
por ti na esperança de me deitar já húmida contigo. No fundo tu fazes sentido. Dás-me dedicação solvida
em tesão. Roubas-me a atenção, obrigas-me a desejar-te. Como te odeio,
renego este prazer vazio, este sentido vadio. Fazes-me esperar por ti como quem
olha aguardando um alguém. E seres o anónimo suspeito que és. Quanto te odeio!
Quilos de desilusão por não saber quantos são. Serás tu um só a servir um só
coração? Ou serás para tantas outras então?
Ouve anónimo,
dás-me tesão!
Vago anseio,
carregado de toda a razão, afinal também és solução, és afago e perdão. Quem
sabe alguma paixão. És desprezo por tua existência, és sorrisos cínicos com
certeza, és falta de olhares
cerrados ou abraços apertados. Quanto te abomino! Quanto és de fascínio.
Assolas o estar, violas o ser. És mesmo obscuro falhado, mistério falado, post
partilhado.
Escuta bem
anónimo, dás-me tesão!
Esta espera é
sem fim, não sei quanto tempo foi, quanto será por inventar, não sei se de
noites deixas ou de dias enches, és abandono que nunca vai, és volume que nunca
sai! Tens formato em mancha escrita, desconhecido que acorda quem nunca
adormece, durante uma guerra sem luta. Deixa rasas feridas, onde nada há para
desinfectar. Quanto te detesto! E nem por isso te desmistifico. Serás o que eu
quero ou o que eu preciso?
poderia escrever, vão-se foder,
mas não me ficaria bem, logo não escrevi, ignorem por favor. Hoje, como muitos outros
dias, a dedicação ao que quer que seja não me chega. Vão-se foder, diria o Luís
que honra qualquer palavrão e ainda se ri dele mesmo. E eu? eu o que quero mesmo é
rir de mim e de todos. Sim de ti também que não te conheço ...e não me encham a
tola com coisas pouco importantes, nem em forma nem em estilo! Vai daí que não
têm mais que fazer? Eu não tenho! E só quero rir-me disso...
(Este Post foi criado para um blogue que é de todos os que se atreverem a dar-lhe vida pela continuidade. Foi escrito ao sabor criativo de um número como título, o 60. Será publicado no blogue "E aí vai ele"- ofereco-te-este-blog )
Pensava como seria aos 60, estava agora com 40, via-se a meio de um
livro escrito. Não cogitava se estaria bem ou mal lavrado, sua bíblia
redigida era uma catástrofe de alegrias e mais umas avalanches de tristezas oprimidas. Como
seria aos 60...
Apagou a luz do pequeno candeeiro de quarto, e a escuridão era clara, o
coração bateu em compasso nervoso e a cabeça iniciou a fervura de uma panela de
pressão. Enrolou-se aos lençóis que depressa iriam aquecer e falou baixinho, “como vou eu amar?, como vou eu amar??? deita-te comigo medo, mas não
me contes mais mentiras, fica somente aqui perto, encaixa-te no meu corpo, bem
sabes que não sei viver sem ti, não sei viver sem ti... mas não me ampares
porque não será desta a minha queda, não vês? Estamos nesta cama, e tu estás
agora envolto neste corpo por amar.”
E o medo respondeu-lhe,
“não consigo fazer-te amar, se a mim que sou o teu medo me fizeres
acreditar. Aqui, no escuro, este reino e domínio é meu, se bem queres, aqui
consigo fazer-te desejar, aqui no sombrio tenho o poder de a ninguém desprezar.
Fecha os meus olhos e eu verei esse teu querer, este que te sinto agora neste
abraço que sufoca. Conto-te que o amanhecer virá, dar-te-ei o que julgas certo,
na que será claridade pardacenta. E na boa luminosidade nunca desistas desse lutar, desse
saber se se sabe amar. Depois desistirei de ti e de te aconchegar, como agora, com a
nova luz quase a chegar. Pois tão cedo eu não vou voltar, nestas últimas horas de luar.
Shiuuu o sol vai raiar e eu vou fazer-te sossegar.”
As mãos do
médico acariciavam-lhe o rosto, aliviando a pressão exercida. A boca doía-lhe.
Havia mais de uma hora que estava deitada na cadeira do dentista.
Não sentia qualquer
poro do rosto atordoado, julgou eternizar daquele jeito, de maxilares arregalados, divagou na
idiotice. Mas tentou concentrar-se no tratamento, e nele, no médico que lhe
cozinhava a boca. Fantasiou no anseio do que se propunha o arranjador de bocas,
talvez não só à recauchutagem de dentes, como quem sabe a de um coração.
Tamanha era a
ternura e carícia sobre o seu rosto, que lhe alteou os desejos despertos sobre
a dormência e viajou à velocidade da broca.
O médico alvitraria
a extracção, envolvia-se a tão árdua tarefa, de forma delicada e perfeita e
continuava massajando-lhe a face.
As horas
decorreram, as doses de anestesia acresciam e desciam-lhe pelo corpo até ao
umbigo. Uma formosa dor suave chegou, um palpitar formigante até às coxas, um
aperto, um cobiço, uma vontade e cerrou o olhar.
A mão
entusiasta não cedera na massajem sobre a pele adormentada, e alentada arriscou-se
vagarosa na descida, abandonou o rosto e encontrou um pescoço fervente que
apurava um odor ardente. Ele soltou um plácido gemido. Que lívido estado o
dele, não se segurou na vontade. Os lábios latejantes acompanharam a mão, e beijou-a,
beijou atrás da orelha, arquejou até ao peito recortado pelo decote avassalador. Ofegou-lhe calor, soprou um
vendaval cálido pelo rio dos seus seios e brotou-lhe água salivante,
humedeceu-lhe as montanhas e plantou-lhe a tesão. Percorreu-lhe o corpo com
dedos vagos, sabendo já o destino certo e desceu meloso, aquela mão vertiginosa
que se encobria por debaixo do vestido sedoso e avizinhava-se nas cuecas
rendadas.
Encontrou uma
vagina palpitante que transbordava do que lhe escorria entre as mamas, deslizava
um regueiro suado com aroma a amantes rubros. Dedilhou-a como a uma flauta
encantada e penetrou-a fundo com o mesmo encanto que lhe fizera no rosto. Um trauteio melódico e apaziguador de
qualquer dor. Dos olhos dela, chovia agora lágrimas lívidas de prazer que ele
as bebera como se dela tudo fosse dele. E sussurrou-lhe inteirado ao ouvido,
“és minha”...
- Olha Dália, com este
calorminetou
que quebrou! Sim, sim eram quatro da tarde estava o Gonçalo a fazer-me um
minete, soube-me pela vida eolha estou sem remorsos!ZERO, zero de remorsos! Não
me vou dar ao luxo de sofrer por um Amonas!
- podes crer, Amona, é nome
perfeito para o gajo Carla!
- ...é super frio e distante
e o Gonçalo faz-me uns minetes...e deseja-me, elogia-me...
- pois, é a melhor forma
de deixar uma gaja caidinha!
- ...diz o que eu gosto de
ouvir e preciso! Agora o Amona nem faço mais um caralho por ele, quando ele quiser, é se eu estiver!!!
- olha levou como traição com um minete na tola!!!
(Ahahahah)
- podes crer, será que um
minete conta como traição???ou é só meio corno? ...com a intensidade que me
vim! só pode contar!quero que conte Dália!!!
- és o mais puro deserto de emoção amiga, és muita século XXI!
Pobre Brasil
-
Acho o Brasil um grande país. O potencial é imenso e tinha tudo para ser
uma potencia mundial, não fosse o povo brasileiro que sofre do mesmo que
quase tod...
Solomoon ou Somente parvos?
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Parece que anda por aí uma nova moda, que consiste nos membros de um casal
irem de lua de mel separados. Ora bem, quando as palavras “casal” e
“separados”...
Não discriminação, homoparentalidade
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Hoje não posso estar mais orgulhosa do meu país. Um dia em que se dá mais
um passo em frente no respeito de todos, no respeito da igualdade e não
discrimin...
acho que este blog precisa de uma nova pausa
-
Perguntaram ao John Fake que raio fazia neste mundo. John fake ficou sem
saber o que responder.
Se há uns anos tudo lhe parecia fácil e superficial, agora c...
Este blog parece um muro das lamentações
-
Houve um baptizado na família, de uma prima qualquer em segundo grau.
Daquelas que nem conheço o segundo nome. A minha família não foi convidada
e nem sabe...
Momentos meus...
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Dos momentos sem nome... em que me atravessas a mente, em que te possuo sem
autorização, em que te ordeno que me fodas, sem piedade, mas com jeitinho
na a...
Lagoa
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Olhei para baixo.
Nas águas límpidas e cristalinas uma face triste olhava-me de volta. Não
fora o semblante carregado e juraria que era a mesma rapariga qu...
"A Viagem"
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Que noite tão feia. – Comenta Pedro com um ar de enjoo, enquanto coloca
loiça na máquina – Sei o que vais dizer, mas já sinto a falta do Verão…
Joana sor...
Bem-vindo / Benvindo
-
É absolutamente impressionante a quantidade de sítios e locais oficiais que
está escrito *benvindo*, que raio de confusão que os portugueses fazem com
o be...
Não sei desenhar abraços
-
Entra nos ossos a humidade e o frio de Mira-Sintra, a cor do dia, por lá,
nunca é muito clara, sempre há um sol tapado por uma coberta pintada a
nevoeiro.
...
Tive dificuldades em acreditar nesta merda...
-
As gordinhas e as outras - Opiniao - Sol
Tenho andado bastante em paz com o mundo, tanta que nem me tem dado para
vir aqui (perdoem-me os que de alguma fo...
-
O jeito como arrastas as palavras no teu tom baixo e amoroso. O teu sentido
de humor contagiante expresso com um smirk. O teu corpo descoordenado
quando a ...
A Escola
-
A escola é divertida
Serve para aprender
No recreio vou brincar
E exercícios vou fazer
Quando vou brincar
Toca a tocar
Entra a professora
T...
Por que me fizeram mosca e a ti mel
-
O zunido acelerado do metro a enganar-nos, a dizer que vai desta àquela
estação e nada, uma demora imensa. Um desconforto. A arrancar com ganas de
quem dev...
Lá em cima é muito alto?
-
imagem de FrozenYearning
E se não chegares lá?
E se o coração que queres apanhar tiver asas para voar?
Ainda há vontade?
Ainda há, de verdade?
Há?
Não se po...
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