As mãos do
médico acariciavam-lhe o rosto, aliviando a pressão exercida. A boca doía-lhe.
Havia mais de uma hora que estava deitada na cadeira do dentista.
Não sentia qualquer
poro do rosto atordoado, julgou eternizar daquele jeito, de maxilares arregalados, divagou na
idiotice. Mas tentou concentrar-se no tratamento, e nele, no médico que lhe
cozinhava a boca. Fantasiou no anseio do que se propunha o arranjador de bocas,
talvez não só à recauchutagem de dentes, como quem sabe a de um coração.
Tamanha era a
ternura e carícia sobre o seu rosto, que lhe alteou os desejos despertos sobre
a dormência e viajou à velocidade da broca.
O médico alvitraria
a extracção, envolvia-se a tão árdua tarefa, de forma delicada e perfeita e
continuava massajando-lhe a face.
As horas
decorreram, as doses de anestesia acresciam e desciam-lhe pelo corpo até ao
umbigo. Uma formosa dor suave chegou, um palpitar formigante até às coxas, um
aperto, um cobiço, uma vontade e cerrou o olhar.
A mão
entusiasta não cedera na massajem sobre a pele adormentada, e alentada arriscou-se
vagarosa na descida, abandonou o rosto e encontrou um pescoço fervente que
apurava um odor ardente. Ele soltou um plácido gemido. Que lívido estado o
dele, não se segurou na vontade. Os lábios latejantes acompanharam a mão, e beijou-a,
beijou atrás da orelha, arquejou até ao peito recortado pelo decote avassalador. Ofegou-lhe calor, soprou um
vendaval cálido pelo rio dos seus seios e brotou-lhe água salivante,
humedeceu-lhe as montanhas e plantou-lhe a tesão. Percorreu-lhe o corpo com
dedos vagos, sabendo já o destino certo e desceu meloso, aquela mão vertiginosa
que se encobria por debaixo do vestido sedoso e avizinhava-se nas cuecas
rendadas.
Encontrou uma
vagina palpitante que transbordava do que lhe escorria entre as mamas, deslizava
um regueiro suado com aroma a amantes rubros. Dedilhou-a como a uma flauta
encantada e penetrou-a fundo com o mesmo encanto que lhe fizera no rosto. Um trauteio melódico e apaziguador de
qualquer dor. Dos olhos dela, chovia agora lágrimas lívidas de prazer que ele
as bebera como se dela tudo fosse dele. E sussurrou-lhe inteirado ao ouvido,
“és minha”...





































