Aqui, nesta montanha batem os primeiros matinais raios de sol e quando este desce e se apresenta o luar tem-se a sensação de que nada se apresentou diferente do que já foi, do que é ou que poderá vir a ser. Não espere nada, nem deslumbramento nem desilusão, não é essa a brancura que se pretende.
Anseie o nulo para que atinja o supremo início do tudo de novo.
Quem é ela,
quantas são ela? Cogitava ele entre o deslize das suas mãos grandes, seguras e
fortes pelo corpo quente dela. Será mil ou uma só quebrada em tantas. Quem é
ela perguntava... as mãos ouviam melhor do que ouvidos recheados a todas as
palavras e ao que elas lhe podiam contar. Quem é ela questionava... no fundo sem
querer saber. Não por medo, não por respeito, naquela pele afigurava o que
era, era uma cortina fina que esvoaçava violenta, por portadas arrancadas a uma
janela num sopro profundo, profano e revelador. Quem é ela? Uma? Meia dúzia?
Quem é ela pensava... sabia, sempre soubera quem era, dizer para quê, dizer
porquê, as palavras não eram necessárias. Sim, sempre soubera, só a
esperou por todas as de mais de mil vidas que passou, e a esperou. Tranquilo
continua à espera, com um olhar breve sobre um céu cobiçado por nuvens a passar.
Quem é?
O verão
fizera-se defunto, o sol já não pairava sobre ele e nela já não brilhava a luz
de costume.
Sabia que os
dias se tornariam mais pequenos, tal como o esquecimento, mas os pensamentos do
que foi, ainda a povoava, pairava-lhe como um abutre sobre um corpo quente,
caído na areia de um deserto.
Ali já nada
se respirava, nada ali crescia, era uma imagem vaga do que fora algo meio
esquecido.
Ansiava por
uma tempestade molhada, que lhe encharcasse a nuca agastada, a brasa dos dias
de verão queimara-lhe a alma, embaçara-lhe o corpo que ainda mexia, o dela. Porque ele morrera. Ele
morrera...
A custo, enrolou
o cadáver transfigurado de verão,ele era possante, outrora vigoroso. Enrolou-o e deixou-o sobre a cama
vazia, afinal não passava do que era, um morto como qualquer outro, um físico
que o deixou de ser. Ele estava morto. Morto...
Enfiou os
chinelos e saiu para a rua, no corpo só levava a camisa fina com que passara a
noite com ele. O vento roçava-lhe na pele trazendo um aroma difuso do que foi
um dia cheiro dele. E chegara-lhe a calma.
Cruzou todas
as ruas de pó, as que a levavam a um destino certo, os pés envolviam-se com a poeira,
travavam conhecimento de passagem. E as outras, a miravam com desconfiança, aquelas que se encontravam à
janela a ver o tempo passar, debruçadas no quadrado, de costas voltadas aos
lares esquecidos.
Atravessou a
última estrada, descalçou os chinelos à chegada e entregou o pó ocre que
transportava à areia daquela praia, e ali se fizeram logo casal. Caminhou
tranquila até ao mar, as pequenas ondas insistentemente desfaziam-se na areia,
sem nunca desistirem por todas as tentativas de nunca se quebrarem. E os pés se
molharam de água cristalina e avançou, avançou entregando o corpo a uma paz
temperada a sal, a sabor e a cor. O corpo estremecia confundido entre uma
dormência e um prazer. Encharcara-se e envolvera-se, fechou os olhos e avançou,
avançou, cobrindo-se por um manto infinito azul e avançou, avançou, os pés
perderam a fina areia que calcava e o corpo livre flutuou.
Maio já não o tem e o cheiro da sardinha ainda não se impõe.
Sem "R" chega ela, boa e linda, a sardinha. A C@bra ama-a! Tem-na como amante numa qualquer esplanada de praia, sendo que, se dedicará a ela, só a ela.
O calor, a areia da praia e o mar, o mar... levam-me a virar costas a este pasto dos dias ventosos de outono, dos de arrepio de inverno e aos coloridos da primavera.
O meu verão chegou.
Com sorriso aberto vou-me a ele, a um verão meigo, vou-me a ela, a uma sardinha apetecível.
Voltarei, quem sabe num mês com "R", até lá deixo um beijo a todos os meus leitores e este bom som, a vós:
"Passam os dias, os anos, crescemos sem pedir, amadurecemos como limões agarrados ao limoeiro, carregados de palavras e ações azedas. Já não era aquela e tu o aquele e mais ninguém chegou para nos apanhar à árvore, haviam demasiados limões e só no verão se fazem limonadas. Vieram invernos, ficámos verdes pelo frio e amarelecemos à luz dos seguintes verões. Quero-te, sabes que sim, vamos fazer limonadas. Sei... apesar do calor, ainda não é verão!"
"Se você acha que ama duas pessoas ao mesmo tempo, escolha a segunda. Porque se você realmente amasse a primeira, não teria uma segunda opção." Johnny Depp
Ler, comentar blogues; conversas no chat; um dia enublado, dia seguinte de sol a raiar; bica na esplanada; um beijo assaltado; um sorriso amarelo; um olho gordo na passagem; troca de pensares; deitar às onze e adormecer à hora de levantar; trabalhar a sonhar e... fervilha dez, são 10 ilusões ou desilusões ou será mesmo constatações?
1. sei mais de ti do que tu pensas *ilusãoo Santo diabinho 2. dar a 100% para sofrer a 200% *desilusãoSad eyes 3. da amizade nasce o amor do amor raramente nasce a amizade, quando acontece não é bem a mesma coisa.*constataçãoBIANCA 4. procurar o amor finito, podendo encontrar o infinito * ilusãoShiver 5. equivoco. A vida está cheia deles*desilusãoSILVESTRE 6. querer, é um verbo complexo*constatação my-skin-and-under 7. muitas vezes existe fogo onde nunca se espera *ilusãoSinneR 8. a verdade, cada um levanta o véu da forma que lhe é mais confortável *desilusãofoxos 9. às vezes a Vida engole-nos *constataçãoStargazer 10. correndo para a frente, sem cair num berreiro *ilusãoOral
Ontem fui convidada para ir a NY, nem pensei, lancei-me logo num SYM !!! E o moneY??? Preciso de vender o meu leytinho de c@bra para fazer queyjinho e acertar na resposta! Alguém compra?
Entrou, despiu o longo casaco e sentou-se. Ele escrevia na ficha, não desviou o olhar. - Conte-me Bianca, o que a traz a este consultório, após anos de ausência? - (silêncio) - Verifico que não vem desde 2003... - (silêncio) - nove anos, portanto... - Há nove anos que espero que me dispa e me foda, efectivamente e sem lirismo! Finalmente elevou o olhar, observou, constatou-a assim, despida de tudo. - (balbuciando), serei eu a consultar um psicólogo?
Estava
empolgado, alimentava mais uma vez os seus ideais românticos, envolvia-se com
expectativa numa nova aventura, esta, cheirava-lhe a uma fantástica fantasia
erótica.
Após os
encontros com ela, perdia o seu sentido prático, andava assim por dias,
alienado, tão prosaico a ele, tal como em minutos se esvaía em desinteresse ou
mesmo renegação. A si se impunha esta condição, conduzia a vida como sendo
sempre imperfeita ou parecia-lhe sempre imperfeita. Ainda assim, ele não se
entregava a pessimismos, pelo contrário, com alguma leviandade jogava com a
vida, proporcionava-se a delirantes estímulos, sentia um levitar constante sobre
um sonho bem aparentado ao real. Neste molde, vitaminava o imaginário e
hidratava a sua mente.
Por si só,
era um traidor da sua existência mundana. Achava-se mais elevado, um prodígio, no
fundo era mesmo mimado, não por alguém, mas sim por ele mesmo.
Nada lhe
chegava para conhecer tudo e o tudo era muito pouco, somente as fantasias e o
desejo momentâneo era a sua única
realidade.
Depois,
sentado à secretaria do dia-a-dia, onde lhe exigiam rigor obrigação e compromisso,
ele sorria, um sorriso oblíquo e acenava afirmativamente com a ajuda da sua exterior
pessoa, fingindo entrega, dando-se à dura veracidade, à que tanto detestava. Assim era Raul. Quem era Raul...
Raul era fogo onde se afoga o amor.
Raullllll - chama Inês baixinho –
apaga o cigarro e vem sobrevoar o meu corpo,
anda, está quente...
Não, não é o Paulo Cruz que conta, é mesmo a c@bra, tal como também não é esta noite que se publica as pintas. Hoje relembro o passatempo/desafio que está em curso,tens pinta?
Pobre Brasil
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Acho o Brasil um grande país. O potencial é imenso e tinha tudo para ser
uma potencia mundial, não fosse o povo brasileiro que sofre do mesmo que
quase tod...
Solomoon ou Somente parvos?
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Parece que anda por aí uma nova moda, que consiste nos membros de um casal
irem de lua de mel separados. Ora bem, quando as palavras “casal” e
“separados”...
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nunca é muito clara, sempre há um sol tapado por uma coberta pintada a
nevoeiro.
...
Tive dificuldades em acreditar nesta merda...
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As gordinhas e as outras - Opiniao - Sol
Tenho andado bastante em paz com o mundo, tanta que nem me tem dado para
vir aqui (perdoem-me os que de alguma fo...
-
O jeito como arrastas as palavras no teu tom baixo e amoroso. O teu sentido
de humor contagiante expresso com um smirk. O teu corpo descoordenado
quando a ...
A Escola
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A escola é divertida
Serve para aprender
No recreio vou brincar
E exercícios vou fazer
Quando vou brincar
Toca a tocar
Entra a professora
T...
Por que me fizeram mosca e a ti mel
-
O zunido acelerado do metro a enganar-nos, a dizer que vai desta àquela
estação e nada, uma demora imensa. Um desconforto. A arrancar com ganas de
quem dev...
Lá em cima é muito alto?
-
imagem de FrozenYearning
E se não chegares lá?
E se o coração que queres apanhar tiver asas para voar?
Ainda há vontade?
Ainda há, de verdade?
Há?
Não se po...
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