Este pêlo branco

Aqui, nesta montanha batem os primeiros matinais raios de sol e quando este desce e se apresenta o luar tem-se a sensação de que nada se apresentou diferente do que já foi, do que é ou que poderá vir a ser. Não espere nada, nem deslumbramento nem desilusão, não é essa a brancura que se pretende.
Anseie o nulo para que atinja o supremo início do tudo de novo.
Muito gosto,
Cabra Branca.

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Atentos :)


“ESCOLA DO SEXO” ENSINA CASAIS A OBTER PRAZER

Uma escola que ensina formas de obter prazer, uma dominadora que traz até Portugal o seu séquito de escravos e luta livre no feminino são as grandes novidades da 5ª edição do Eros Porto. Erica Fontes, a mais internacional das atrizes portuguesas, é a cicerone deste evento, que promete voltar a encher de curiosos o Pavilhão Multiusos de Gondomar, de 9 a 12 de fevereiro.

Como já é tradição por esta altura do ano, o Salão Erótico do Porto regressa para aquecer os dias frios da “capital nortenha”. São mais de 700 espetáculos, em 10 palcos, protagonizados por mais de 80 artistas, incluindo algumas das mais importantes estrelas a nível internacional. Entre elas, Erica Fontes, a atriz portuguesa que tem percorrido os quatro cantos do mundo, será a porta-voz desta edição.

A “Escola do Sexo” é uma das grandes novidades do Eros Porto 2012. Aqui, os “alunos” poderão aprender alguns dos ensinamentos do Kamasutra, saber que posições dão mais prazer ao homem ou à mulher e ver, em primeira mão, exemplos práticos dessas mesmas posições. As aulas serão lecionadas por dois professores e exemplificadas por três casais, seis conceituados atores e atrizes do universo do entretenimento adulto internacional. (...)
EROSPORTO – SALÃO ERÓTICO DO PORTO 2012
DATAS: 9 a 12 fevereiro
HORÁRIOS: Quinta a sábado, das 15h00 às 02h00 | Domingo, das 15h00 às 22h00
LOCAL: Pavilhão Multiusos de Gondomar
PREÇO DOS BILHETES: Geral – 20€ | Estudantes - 15€ (só 5ª feira) | Maiores 65 anos e Pessoas com deficiência - 15€

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

domingo, 8 de janeiro de 2012

aqui é demais para ti…

Hoje deu-me vontade de voltar a explorar! Em 2009 escrevi uns post´s num outro blog, agora e aqui, neste espaço que poucos ou muitos (mas sem dúvida bons) me seguem, exponho com algumas adaptações. O género não muda, a atitude sim, essa é a prova do crescimento, a razão de que o futuro não é mais que nosso amigo.

Nada nem ninguém é irrepreensível, naturalmente temos agregado a nós a pudica falta de dignidade da verdade, tão mais fácil emaranhar por outras predisposições. Não me isento de nada, tal como também não provo ser infalível. Sou mais uma no meio de todos, e todos criamos e recriamos imbecilidades. Tal como sou crente de que nem sempre a verdade é a razão de tudo, porque nada é perfeito, nem mesma a imensidão da verdade, e o que é uma imensidão? Redigo que antes a mentira que sabe levar a vida a viver mais um dia feliz, porque a mentira nem em tudo é sinónimo de falsidade! O egoísmo? Falemos do egoísmo, antónimo de altruísmo, estranho não?

“As disposições humanas inclinam os seres humanos a dedicarem-se aos outros naturalmente, o homem pode ser - e é - bom e generoso naturalmente sem necessidade de intervenções sobrenaturais ou divinas.”

Este conceito opõe-se, portanto, ao que vos falo hoje, a verdade, o egoísmo, que são as inclinações específica e exclusivamente individuais.

Julgar os outros? Não! Faço créditos, constantes juízos de valor à minha pessoa, isso sim, ao meu individual, anteriormente condenado ao desapego, à minha falta de vinculo pela veneração aos mais fortes ou mais importantes, mas nunca, nunca manifestei ausência de bondade! E agora com bondade a mim trabalho-me para ser diferente nesta vida, na alma que povoa hoje nesta urbe frenética, onde tudo é ao sabor do descartável, nunca estamos bem, sentimo-nos sempre descompensados, somos uns eternos insatisfeitos! E infelizmente não sou diferente dos demais, mas tento, e tento e tentarei sempre contrariar o mais do mesmo.

Assim, não posso admitir a falta de dignidade e de respeito. E então não me peçam desculpa, porque desculparei! Dá-me então! Agora sou eu a Egoísta! Dá-me as paixões, os amores, as amizades. Dá-me tudo então, tudo só para mim! Assalta o meu coração.


sábado, 7 de janeiro de 2012

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Aluguer Viciante...

Como pagar o aluguer de uma cabra? Pagar a uma cabra é fácil, mas esta não é qualquer Cabra, esta é A Cabra, especial, única. A verdade é que Esta Cabra não se aluga. Não. Ela deixa-se alugar quando assim o entende. E cobra-nos algo único. Uma experiência. Uma experiência que enquanto existiu tempo nunca aconteceu e enquanto houver tempo nunca se voltará a repetir.

13 Biliões de anos atrás os átomos da Cabra e do Touro, animados por uma força invisível de atracão, instigam a revolução, explodem, iniciam o universo, criam estrelas, planetas, a terra, vida, os nossos antepassados, avós, pais, finalmente criam os nossos corpos, para que na última noite do ano de 2011 possam enfim saciar a fome criada por aquela longínqua atracção primordial.

31-12-2011, 21h
Tu, Cabra, que te dizias de uma cor, surpreendes-me com outra. Não me interessa a tua cor, por muito esforço que tivesse investido na Cabra calculada na minha mente, nunca teria conseguido atingir a perfeição da Cabra que surgia à minha frente. Fomos e degustamo-nos nas palavras e na comida e na bebida, fomos mais longe e deixamos que os nossos átomos saciassem a sua sede embalados pela música.

31-12-2011, 23h
Toco-te, tocas-me, o ambiente está animado e populado de estranhos rostos alegres. No entanto estamos sós, só te vejo a ti, Cabra, e tu só tens olhos para mim, dançamos juntos, trocamos fluidos, cheiros, sentimentos.

31-12-2011, 23.59h
Puxo-te para um canto menos populado e encosto-te à parede, olho-te nos olhos, gosto dos teus olhos de Cabra Gato. Mordes o lábio e puxas-me para mais um doce beijo. As minhas mãos encontram as tuas coxas quase por acaso, o teu vestido curto sobe tão facilmente. Lês-me os pensamentos, com os teus hábeis cascos de Cabra Lasciva libertas a tesão presa nas minhas calças. 10! O tempo pára. Seguras-me de mão cheia e encaminhas-me para dentro de ti, 9! Enterro-me em ti. Consigo sentir o teu sabor. És doce como mel e salgada como o mar, 8! Puxas-me mais para dentro de ti. Por um momento penso que me fundo em ti, 7! Sinto-te quente, a palpitar. Mordes-me a orelha e pedes mais... 6! Devoro-te és doce, és salgada, és viciante 5! As nossas línguas misturam-se, não sei dizer qual é touro e qual é cabra, 4! Deliciamo-nos, como se tivéssemos todo o tempo do mundo, 3! Já te disse que gosto de te sentir? Do teu toque, do teu sabor, do teu cheiro, 2! É me difícil conter, ainda falta a eternidade para a meia-noite e tu sabes-me tão bem, Cabra 1! Olho-te nos olhos, estão grandes, despertos, reflectem a tua tesão, a tua antecipação, 0! Encaixo-me como que para ficar para sempre dentro de ti e libertamo-nos em êxtase simultâneo, sussurras-me ao ouvido, “Amo-te”, culminar perfeito para esta Foda que começou no início dos tempos.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Rapariga Standby 3

Bateu sem ritmo, um descompasso a nó de mão glacial, o desconhecido tremendo fazia-se anunciar. Ela inspirou forte, lançou os fios de cabelos para trás das costas e fechou por momentos os olhos. Abriu a porta devagar para não se atraiçoar na pressa. Ele e Ela, olhos de regalo ao primário mirar. Respirar oprimo, partilharam o impulso num olá profundo, os sorrisos iluminaram-se, ele a contemplou, a um Miró a emoldurou, ela o admirou ao som de If I ever lose my faith in you, cantado a Sting. Entrou com afogo, agitado por dentro, constrangido por fora, um medo terrível de errar preencheu-lhe a intenção. Achou que falar do frio seria um excelente começo, mas percebeu o crasso, qual frio, queria no fundo abanar-se pelo calor que lhe subia pelo peito, pelas costas até à nuca, onde se sentiu suar, ela era linda e continuava sorridente, um sorriso anexo a um olhar mortífero que o atrapalhava. Vislumbrava-a altiva, segura e mordaz, aquela atitude percebera-se ao vê-lo inseguro, ele se desmembrou, não sabia se haveria de esconder as mãos ou mesmo todos os membros. Acalmou a ansiedade na oferta de um copo de vinho tinto. A cada trago de Poeira Douro relaxava pressentimentos e a conversa fluíra.

Sentaram-se na meticulosa mesa preparada, ao repasto atiçaram papilas, degustaram sabores e palavras ornamentadas e já no sofá prolongaram sinónimos e antónimos de quem escaldantes desejos tem. Enrolaram-se ali mesmo, naquele sofá rato, beijaram-se sôfregos, atrapalharam-se na mistura lasciva de tenções há muito aguardadas e caíram no chão que nem dois troncos cortados pela força de um machado. Iniciou o embuste aos trajes já repuxados e frouxos, lassos por tamanhos amassos, arrojaram os corpos sedentos pelas tábuas envernizadas e sucumbiram-se na larga cama de lençóis tenros. E beijaram-se sem tempo, sem termino imposto, beijaram-se, decaparam a saliva as peles pantanosas, beijaram-se e beberam-se, encharcaram-se de tesão na intenção do cume supremo... Mas não, não passou da confirmação, do susto que se previa, nada acontecia, ele não conseguia, a cama ali se perdia, morto ficou, vivo não voltou, transfigurou, sobre o ar de graça abatera-se a desgraça, sem graça alguma ela moralizou, haveria razões que a própria razão armada a certa desconhecia.

Lamentaram, levantaram esteira, sem eira nem beira. Talvez, quem sabe, talvez um outro dia.

sábado, 31 de dezembro de 2011

Rapariga Stanby 2

Acreditou que ele estaria próximo, saiu do duche apressada, correu para o espelho do quarto enrolada na toalha turca com o estojo de maquilhagem na mão.
Atrasara-se nos pensamentos, entre o gel duche que lhe amaciava a pele, com que massajava e cobria as suas curvas bem delineadas, e a viagem que faria no corpo dele. Arrastou os pensamentos ao toque de si, o duche assim o pedia e avançou sem inocência ao prazer da sua vontade. Impressionou-se de si, como se sentia incendiada, aprisionou o desejo entre os dedos da sua mão. A água, essa, corria entre os seios afogando o fogo que lhe incendiava os pensamentos sobre ele, aquele que estaria lá fora a digladiar-se com o monstro do bafo gélido, enquanto ela serpenteava os dedos ao som da chuva aquecida em busca do gemido, do bafo quente contra ao vidro do duche, queimado as gotículas que escorriam para o gargalo rendidas ao impacto de tamanho cobiço.
Ao espelho já espetava as longas pestanas negras e passava o batom, enquanto enfiava sem esforço os sapatos cetim grená que davam o toque de cor à silhueta asa de corvo. O único brinco que usava era um lustre de sala real, cintilava segredos, ocultava passados esplendecentes e agora radiaria caprichos iluminados ao estranho. Os cabelos molhados escreviam linhas na horizontal declarando no vestido brilhante intenções de ser despida e devorada... O som de um motor cansado anunciou chegada, descontrolada e altamente confeccionada não tivera tempo a mais retoques especiais. Tudo o que estava a mais, naquele desarrumo caos, passou a toque de pontapé, limpando as tábuas corridas daquele palheiro, para debaixo da cama virgem, ocultaram-se, refugiaram-se para dar lugar ao que seria palco da peça a estrear.
(Cont.)

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Rapariga Standby

A voz brasileira da miúda do GPS indicava-lhe o caminho, parecia que ela estava mais à deriva do que ele.

Entardecia, subia a montanha com o carro em esforço e já no cume apresentou-se-lhe o monstro da montanha que respirava certamente de boca aberta, nublando o caminho, desenhando uma névoa com bico de aparo largo no pára-brisas do seu veiculo, um pouco assustador, mas tão excitante de a saber mais próximo...

Ansiava chegar, pela viagem acompanhava-lhe a ideia de se seria uma foda divina, esse pensamento aquecia-lhe a alma e acalmava-lhe a pele eriçada, influenciada pelo manómetro do carro que declarava menos 2 graus.

Apesar da pressa do chegar, via-se obrigado a abrandar, o nevoeiro acentuava-se, um manto imaculado quase opaco ocultava-lhe o caminho. Imaginava-a assim, branca leitosa, suavemente cheirosa, apetecível adocicada. Os seus cabelos seriam finos e suaves, leves de cor de avelã e os seus olhos, esses, imaginava-os azeitonas verdes caídos da árvore por esforço de uma vara. O pensamento rolava-lhe, mas as rodas, essas travaram, não conseguia mais avançar.

Era o inicio do anoitecer, parou onde estava, saiu do carro e enrolou um cigarro apressado pelas mãos que se lhe engessavam pelo frio, acendeu-o e deu um travo profundo, quase o fumou num segundo e soprou, um sopro infindo, maior que a do mostro da montanha. E contemplou, admirou o fumo do cigarro a rodopiar na aragem gélida enlaçando-se ao nevoeiro cerrado, enroscaram-se e beijaram-se, enamoraram-se, deram as mãos e seguiram caminho, soprados pelo vento suave. Sorriu, e viu-se ali, parado, sem enxergar vislumbre, acompanhado pela voz da brasileira que ecoava dentro do carro, “próxima saída à direita”, “próxima saída à...”

Entrou no carro, estava acolhedor, sentiu a sola dos pés a aquecerem lentamente e confiante acreditou que seria capaz com a ajuda da falante, “saia na saída”, virou às cegas, dentro do peito um palpitar agitou-se, um nervosismo hilariante invadira a sua impaciência, esfregava os olhos em jeito de quem cegar vendo nada. Avançou, guiado fortemente pela vontade, pelo desejo de a ter em braços... e o coração era assaltado, numa dúvida vertiginosa, seria apetitosa?

(Cont.)

domingo, 25 de dezembro de 2011

Quem Se Perdeu?

Não se percam por favor, vamos a caminho da noite de final de ano...



...e os meus braços chegam para o abraço do tempo.

sábado, 24 de dezembro de 2011

Alugada!

Cabra, quero alugar-te.
Vou-te fazer uma proposta que não podes recusar.
No entanto peço que revejas o teu anuncio, em vez de "tiro foto", quero "tiramos fotos juntos".
P.S.: Não dispenso que me digas "Amo-te"
VICIADO

Viciado, como me fazes feliz, dada a crise estou mesmo necessitada!!! Aceito! e até como alento te digo duas vezes AMO-TE!
Manda a proposta para o meu mail!
Feliz Natal e lá nos encontramos... no reivellon???!!!
Cabra Branca

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Tira o laço

pronto, depois de bater perna pelas ruas da baixa pombalina encontrei a prenda!!!
Feliz N.a.tal!!!


quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

deixa que o beijo dure

Acordo com esta música...

Cantarolei-a durante o dia,

E voltou a mim ao pestanejar em direção ao sono,

E por que razão?

Calma...

não somos mais que uma gota de luz

tudo está em calma

deixa que o tempo cure

deixa que a alma tenha a mesma idade que a idade do céu...

Deixa que o tempo cure e o beijo perdure

Calma...

É com esta dimensão de infinito que adormeço em gracejo de Deus.

Cyclone

...estou aqui, sempre estive, aqui escrevo à espera que me escutes como a uma voz falada. Palavra, palavras, para quê? Tanta palavra, tantas vezes, tantos loopings avançados. Estou aqui, sempre estive, escrevo à espera de que não me falte palavra. Choro e paro, choro por mim, por ti e por todos os que se julgam no dom delas. Palavra? Palavras falhadas, as mais de mil pronunciadas, foram zeros segredados, secretos amaldiçoados, levianas essas tantas vezes faladas. Conta-me sem elas, balança o teu corpo em gestos pré-anunciados, desenha lábios num infinito muro. Palavras? Manifesto contra elas, essas ingratas choronas, palavras babadas, palavras amadas, sim, so often... estou aqui, sempre estive, aqui estou, aqui fico, aqui escrevo as ditas palavras julgadas caber, tantas vezes coladas, tantas vezes elevadas. Palavras? Tão aborrecidas, tão amargamente apodrecidas.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Às tantas

E és “só” uma em tantas.
Em tantas que vi ou no meio de tantas, pedaços de ti vi. Passas por mim, trespassas-me, assaltas-me, atropelas-me e viras-me do avesso, desorganizas, desorientas-me, tiras-me o tapete e olho... Vejo tantas, podes ser tantas, em cada uma vislumbro retalhos de ti. Vira-te! Não, não és tu! Tu também não! Céus... mas onde estão os olhos que me matam, que me fulminam e fazem voar?
Viajo no rubor da tua face, fazes-me provar e sugar os lábios avolumados que me soltam arrepios, que me libertam desta indiferença, deste marasmo. Mostra-te-me!
Preciso-te! Não te quero em tantas, tu que és aquela no meio de tantas! És minha! És aquela... assume-te e deixa-te cair nos meus braços! Vira-te, anda, agarra-me! Não és assim tantas, és enfim só uma.
E hoje é noite de lua cheia.


quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Uma estrela num barco de pedra

E com esta pequena história fui votada para a final do primeiro concurso LGBT, lançado pelo dedicadíssimo Sad eyes do blog good friends are hard to find.AQUI

Espero que gostem

Atenciosamente,

Bianca

Uma estrela num barco de pedra

A mãe gritara, chamava-a ecoando uma voz branda, vinda do piso inferior... Ivoneeeeee, vem à porta, anda, é a tua coleguinha da escola, ela chegou!
Criança remexida, Ivone intempestiva e inesperada saltou da cama, correu para as escadas. O rabo pelo corrimão deslizou... mas em tamanha excitação deu embate ao desequilíbrio, ninguém calcularia, a frio no chão caía. Ivone paralisaria.
Rita à chegada fora assaltada, a sua amiga ali no chão estava, as lágrimas já ninguém as segurava e a sirena da ambulância assim chegava.
Vinte anos passaram, Ivone sentada ao lado da janela, ali estava, numa casa rasa que lhe servia, não tempestades, ali não as havia e tocadelas de campainha raramente acontecia. Ivone de olhar meigo e perdido, fitava as poças de água de lá de fora, pensava como uma simples pinga de choro as agitaria, mas lágrimas já não escorriam e um pé sim, esse as sacudiria. A campainha tocou, a cadeira rolou até à porta que destrancou. Era a Rita, ela chegou. Falar não falou, sorriu, como sempre um sorriso terno que atrás de si a porta fechou, a colo Ivone içou, pelo corredor a levou e já no quarto a deitou. Rita desnudou-a com meiguice, tocou, acariciou e beijou, despiu Ivone com jeitos de anseio e em desejos elevou. Ivone, os olhos fechou e um longo e afável prazer inspirou.

domingo, 4 de dezembro de 2011

Onde moras?

Onde moras?
Na tua cabeça. E tu onde moras?
Eu moro no teu pensamento.
E porque não vens até à sala?
Para? Para me sentar no teu longo sofá ou deitar no infinito soalho dessa tua sala?
Não ouves a música tocar? chiuuuu... Não te apetece dançar?
Hoje não danço. Hoje não sei que dia é, não sei se o nevoeiro levanta ou o sol se esconde na fumaça da tua confusão. Esta cabeça onde dizes morar levita com este nevoeiro. Está nevoeiro?
Não me apetece sair daqui. Não quero pedir-te que saias de mim, não quero ir lá fora, daqui não vejo nevoeiro, nem te sinto a levitar, sinto-te na pele, sinto-te o respirar como se estivesses mesmo aqui atrás de mim... encostada a mim. Está nevoeiro?
Está nevoeiro! Não vês? Deita, deita-te aqui, enrosca, puxa os lençóis, anda, vem, vem e fica! Porque tens de oferecer resistência é só um nevoeiro! Luta, contra essa incógnita cabrona! Vais deixar que ela te vença? Certamente há guerras com pretensões mais nobres! Dá-lhe, dá-lhe!!! Dá-me!

Plateau


Uma deusa no topo de uma montanha
estava queimando como uma chama de prata
o topo da beleza no amor
e Vénus era seu nome

Ela teve isso...
sim, baby, ela teve isso
Bem, eu sou sua Vénus, eu estou no seu fogo
No seu desejo

Sua arma eram seus olhos de cristal
Fazendo todo homem louco
Negra como uma noite escura
Ela teve o que ninguém mais teve

Ela teve isso...
sim, baby, ela teve isso
Bem, eu sou sua Vénus, eu estou no seu fogo
No seu desejo


E assim me fartei de dançar no Plateau, há tanto que não dançava tão bem!!! Coisas...

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

fá-la Dançar

Recorda-te ao entardecer, quando galgavas lances de escada, degrau atrás de degrau, uma subida perpetua, sonhando naquele abraço apertado, dançando em beijos trocados, tocando ao som de afagos, perdias-te nela.

Falavas-lhe calado no balanço dos corpos, enrolavas os dedos em demorados cabelos, desnorteavas-te no embalo nela e ela achava-se em ti, quando lhe sussurravas a beleza, veneravas-lhe o corpo e a beijavas mais de mil vezes. Dançavas e ainda danças, dançavas e dançarás sempre naquele escurecer. Dançavas a dança do querer, desaparecias no tempo, deixavas outras portas de afecto e alcançavas desejos ansiados tatuados nos teus dedos. Dançavam e dançaram agarrados na músicas do que é.

Quem soube não foi só quem subia e quem estava na subida, sabe o chão encerado, onde as solas gravaram LPs de paixão.

Ela dança, dança agora na tua cabeça. Tu danças as danças da mudanças. Dança, dançou o que o ensejo elevou. E a dança ficou. A dança que te recorda no amanhecer.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Assusta!?

“Aos 20 a mulher tem espinhas, aos 40 tem pintas, encantadoras trilhas de pintas, que só sabem mesmo onde terminam, uns poucos e sortudos escolhidos. Sim, aos 20 a mulher é escolhida, aos 40 é ela quem escolhe. (...)Também aprende a se perfumar na dose certa, com a fragrância exacta. A mulher aos 40, mais do que aos 20, cheira bem, dá gosto de olhar, captura os sentidos, provoca fome.

Aos 40, ela é mais natural, sábia e serena. Menos ansiosa, menos estabanada. Até seus dentes parecem mais claros. Seus lábios, mais reluzentes. Sua saliva, mais potável.. e o brilho da pele não é o da oleosidade dos 20 anos, mas pura luminosidade. Aos 20 ela rói unhas, aos 40 constrói para si mãos perfeitas. (...)

O que mais assusta é que nenhuma mulher lhe vai perguntar o que está a sonhar, pois são só sonhos e isso não a preocupa...” Filipe Veríssimo


O sonho comanda a vida, escreveu Fernando Pessoa, um eterno adolescente com uma personalidade original, incondicional romântico que criou e recriou um mundo próprio, num espírito rico e paradoxal que não se podia resumir a uma só personalidade.

Aos 20 as mulheres, ao lado deles, querem sonhar com eles, crescer com eles, aventurarem-se com eles, descobrir mundos com eles. Aos 30, temem pelos sonhos deles, duvidam dos compromissos deles, detestam as certezas concretas deles, abominam a julgada maturidade deles. Aos 35, confirmam a veracidade dos sonhos deles, embasbacam com a força de vontade eles, empalidecem com as acções deles, fervem roxas de raiva das afirmações deles. Aos 40, não ligam e muito menos questionam os sonhos deles, lá querem saber se aos domingos pela fresca andam de bicicleta cumprindo um estilo de vida saudável, desde que na noite de Sábado lhes dêem de jantar fora de portas e as comam dentro de portas! Se vão gastar um balúrdio de guito num bilhete pró futebol, se as encantarem no dia seguinte com a ida ao teatro, se vão para uma noitada de copos ou jogar poker a pagantes, se lhes ofertarem um fim-de-semana numa escapadinha cá dentro, ou lá fora, é preciso é escapar! Mas aos 40, aos 40 quem é a mulher que quer pagar o preço de sonhar o sonho deles aos 50?

Meu amigo Filipe, obrigada por tão acarinhado post.

domingo, 20 de novembro de 2011

Olh(ando)

Não devemos desculpas um ao outro, nem ontem, nem hoje, nem amanhã, a desculpa é uma palavra improdutiva em certas situações, esta é uma delas. Não temos de pedir desculpas pela paixão a alguém. Paixão, essa palavra ingrata, frívola até pelo tempo que nos oferece.
A vida, com ela não devemos ficar contentes, alegres, tristes ou mesmo fodidos, a vida é o veiculo onde transportamos o nosso ser numa aprendizagem a tudo, todas as folhas deste livro são para ser folheadas, lidas e acrescentadas. Nós? Nós somos uma página de um qualquer capítulo que nos fascinou ler, quando quisermos reler, já todas as letras que preenchiam frases mágicas, sensuais e inebriantes de luxúria, recolheram-se, evaporaram a cada passagem anterior dos nossos olhos. Ficou na memória, ficou na memória...
Os segundos, cada segundo vivido foi intensamente sublime, cada minuto esperado será dolorosamente detestável. Um adeus um até qualquer dia, até logo ou mesmo um até já, não tem peso temporal, tem sim emocional, infecunda esperança em aberto, estéril saudação, enferma saudade de uma felicidade infrutuosa.
Esvaziar a mente como a uma garrafa de vinho aquecida, pensar em asneiras, fustigar ideias, chatear as recordações do pouco tanto que foi, dificultar o que um dia será. Decidir sem hesitar, falar alto para se ouvir, chatear quem finge nos ouvir.
O tempo? embebeda-se em desculpas das horas, dos minutos, no segredo dos segundos.
Respeito. Respeito-te.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Fico

É um adeus de chegada, uma surpresa não esperada, uma invasão não planeada, é a música que não se ouve, o rascunho que não se lê, um envelope fechado de porquês. E tu quem és? Quem és tu, e tu e mais tu? Quem são vocês afinal? Receio porque me quererem saber. Na rua não me olham nem muito menos me falam, não me dizem à luz do dia um olá, um adeus, nem me dão beijos quentes ou arrefecidos, nem encharcados ou molhados, nem húmidos ou desagasalhados! Quem és tu aqui, nesta caixa apertada? Quem és tu, e tu e mais tu? Quem são vocês afinal? Eu? Eu sou o vulgo do mundo de um outro lado, o desejo andado o abraço agoniado. Sou a mão de outra mão, sou a mãe de futura mãe, amiga de quem, parasita de alguém, amor que tem, sou eu e sou tu. Sou o rosto de uma só face, um corpo que fala só. Uma voz sussurrada num ouvido mouco. Sou suspiro ansiado, gole apertado, choro entranhado. Sou lágrima denunciada quando ao longe me dizes, és tu afinal! Eu? Eu sou anseio teu e desejo meu, sou um Adeus que fica, chegada desespera num abraço apertado, e na despedida sinto sofrida o preço que não me leves.
Para onde vais, leva-me... leva-me ao de leve, ao colo, e não me largues, não abras as tuas mãos cegas, não me percas nas linhas deste tempo. E os olhos, os teus olhos perguntaram afinal, quem és tu, e tu e mais tu? Quem são vocês que andam nesta caixa apertada?!

domingo, 13 de novembro de 2011

em ti and I

quatro da manhã, hoje era diferente, era já Sábado, um Sábado. No sobressalto da perca do cartão do parque de estacionamento do Lux , vinha agora com licença a passar todos os semáforos da Avenida de Berna que se apresentavam verdes. O vazio da noite e a humidade na estrada espelhava-a tornando-a no caminho do sentido, guiava-me na incógnita de ti, conduzia sozinha ao encontro do que seria.
E dispo, tiro cada peça de roupa fedenta a tabaco. Nua, a água corre quente pelos meus cabelos encontrando um corpo bebido. Abraças-me e sinto-te no meu pensamento, as gotas dão-me beijos quentes, beijo-te beijando a água que escorrega pela face e descobre os meus lábios. Fecho os olhos e olho-te, céus e como me olhas... estavas online. O que te faria? Queria-te debaixo desta chuva aquecida, segredar-te-ia o imprevisto do impossível , e tu conseguirias transpô-lo por mim, roçando na demência do descuido dos teus lábios nos meus, e percorrerias terras de mim, altearias conquistas de guerra em toda a minha extensão, e beijarias o beijo da água que já vai em cascata entre os meus seios, encontrando a foz do aceso de mim. E faço-me diva da água de cano, fantasio na minha igual demência, e é tão bom por parecer verdade.
Deito-me, recebo-te, envolvo-me nos teus braços fortes, sinto-me segura na ponta da corda. Adormeço, acordo, sentada na tua corda segura, aninhada nela, tacteio a teia da tua pele, o corpo que te assiste como a Júpiter e fito-te de pujança, suspiro e respiro, suspiro aconchego... Não quero acordar...
E eu acredito em ti e em mim porque somos o sonho, a fantasia, o desejo devaneio, o nosso desatino desassossego.

sábado, 12 de novembro de 2011

Candidatos a Martinhos


Neste dia de São Martinho ia bem beber um copinho? Alguém quer ir? Candidatos esperam-se.


E antes de publicar este "desafio", o telefone tocou. - estou a dois minutos de tua casa, tens planos para hoje? Sei que não, vou ter contigo!, e nem mais um minuto, em menos que isso a campainha tocou.
- Tão lindo que és! Só mesmo tu! Que queres?
- Vá vai tomar banho vamos sair daqui!
...e assim foi, são quatro e meia da manhã e liguei o computador e quem eu desejava ainda estava online, vai daí que vos conto a noite amanhã, quer dizer, hoje, mas mais logo.