
M - Então diga-me, como anda a sua alimentação?
C - Mal…
M - Mal?!
C - Sim, não sou boa de comer!
M - ?
C - Desculpe, quero eu dizer que sou má de boca!
M- ?!
C- :-( …
M - ...:-)
Completamente BRANCA!

Naquela altura fazia uma semana que se enrolava com um macho, os últimos tempos fora entre enleio fêmeo. Tinha o apetite agora virado para a exploração das delícias masculinas. Ficara assim em standby as divas macias. Pois em nada era, ou seria, o momento para os homens sofrerem descontinuidade.
Houve uma época em que o piropo estava na moda, praticado pelo homem e sem idade de utilizador - embora pertencesse aos homens feitos os melhores piropos - era uma forma de galanteio carinhoso com intenção lisonjeadora . Mas como tudo, foi-se deteriorando na forma e no estilo de expressão, chegando a bater no fundo, caindo no ridículo e ruçando por vezes num insulto. Observemos:Foto de Claudio Rafael
Mulheres de corpo e de mente sã, mulheres sem marca, mulheres activas, mulheres magnéticas, frenéticas, resolvidas, mulheres de amar, mulheres, mulheres que são o meu espelho…
Leio seus toques, seus jeitos, o tom de batom, as malas que carregam, os sapatos que calçam, as roupas com que se trajam. Todo o cenário, o mais sofisticado ao mais despreocupado. Elas.
Elas que não sentem medo, metem medo! Mulher que intimida, mulher turbilhão, mulher furacão, mulher vida, dá-me a tua mão. Dá-me!
Mariana Carvalho, responsável pela organização da Íntima Party, que se realiza esta sexta-feira, dia 30, na discoteca Bric, está convencida de que as mulheres vão aderir ao quarto escuro que nessa noite estará a funcionar só para elas.
“Vão aderir porque em Lisboa não há outros espaços onde possam estar à vontade sem limites”, diz.
O quarto escuro, diga-se, é tradicionalmente um espaço para sexo livre entre homens e funciona em discotecas ou saunas. O do Bric existe há anos e é a primeira vez que vai proibir a entrada a homens. A Íntima Party quer-se feminina e lésbica. A festa começa pouco antes da meia-noite e prolonga-se até ao nascer do dia. Promete muitas surpresas, mas de concreto o que se conhece é o cartaz.
“A Íntima Party foi criada a pensar no público lésbico de Lisboa e de todo o país”, diz Mariana Carvalho. “Mas pretendemos receber todas as caras, credos, cores e nações”, esclarece.
O quarto escuro, refere a organizadora, “será a marca registada” da Íntima Party. Isto é, a ideia é realizar outras edições da festa e ter sempre um quarto escuro para mulheres. A periodicidade poderá ser mensal, adianta Mariana Carvalho. “Se a festa crescer muito, o espaço terá de ser repensado", informa.
Time Out terça-feira, 27 de Outubro de 2009
http://www.intimaparty.com/2edicao.html
Será para quando a íntima party3?!? Hummm
Foto Quark
Mas o que me traz é o seguinte: faz dois anos que descobri que sou gay, altura que coincidiu com uma sede de conhecer o Mundo, de viajar, não obstante a minha pequenez. A net trouxe-me a oportunidade de me meter em páginas onde (infelizmente) me anunciei em estatura normal e foto alheia. Claro que fui rechaçado com educação por todos, quantos me viram ao vivo e o ângulo de visão baixava drasticamente qualquer esperança, com a excepção de um homem que, extraordinariamente, tinha deixado um anúncio de procura de companheiro de viagem nos EUA, para uma travessia de costa a costa em cadilac antigo, e que no final, sem qualquer hesitação me aceitou. Tudo ocorreu num piscar de olhos, desde os preparativos até chegarmos ao Kansas, coração do país, quando já eu sonhava com o amor. E foi aí precisamente que comecei a sentir-me um estorvo, ao ponto do meu companheiro de viagem já não falar comigo e chegar mesmo a atirar pelos ares a almofada na qual me sentava no carro e que me permitia ver a paisagem, pelo que metade dos EUA se resumem ao azul do céu e ao verde das árvores mais altas que ladeavam as estradas. Como sou orgulhoso, não quis dar parte fraca. Mas a verdade é que estava apaixonado pelo único gay que me aceitou como sou. Em Lisboa, as últimas palavras que ouvi dele exalavam ódio: "Pensavas que me podia apaixonar por ti, gnomo do caralho!" Hoje ainda tenho esperanças que me ligue de novo e me convide a conhecer outro país pois foi o único gay que me aceitou como sou e apostou em mim. Confesso que nunca lhe disse nada que lhe pudesse ter induzido tanto ódio, mas quando a paisagem não me agradava, limitava-me a olhar demoradamente para ele porque o via como um ser humano admirável. Afinal, Miss Cabra, haverá esperança para mim no mundo gay? É que os gnomos não têm universo gay e adormeço as noites com a imagem de Brad Pitt diante de mim!
Foto Pedro Moreira
"MEU" Trolha mais uma vez surpreendeste-me... e gostei! Bastante!
Hoje pela manhã andava na “blogada” e fui à casa da Laetitia Sweeney Rose, vou usar a expressão em nada diminuta, fui à casa da Rose, e encontrei por lá uma posta bem agradável que me inspirou profundamente…
Hoje recebi o sms mais lindo do mundo! E dentro da temática “Palavras” e “Puta” que este blogue tem dedicado nos seus últimos dias, ei-la:
INGÉNUAS(OS) OU ORDINÁRIAS(OS)?
Conversa de varão…
INSTANTE FATAL "Sempre gostei muito da palavra puta. Soa bem, é curta, directa, fácil de pronunciar e permite ser usada em multíplos significados dependendo do tom da voz ou da escrita.“ Gajas tão burras, tão burras, tão burras, tão burras e que se acham o máximo. Há mulheres que ainda não perceberam que são tanto de nada, que nunca irão servir para mais nada a não ser para ser as putas de alguém.”. Escrito por Charmoso
SER PUTA É ARTE! Misscabra Bianca.

Acordaram estafados, corpos nus, enlaçados, colados, cúmplices ainda entesados... seriam eles as celebridades daquele filme?
Silencioso olhar pensante, dúbio, eles mesmo, reais físicos, as estrelas daquele papel.
Olharam-se, beijaram-se profundamente, para além deles, como sugando um desejo íntimo, entranhado, escondido. O medo, surgiu naquele instante, forte, intenso e eterno querer ambíguo…
- És intensa, viciada nas tuas personagens e perigosa, emocionalmente perigosa...
- E tu, és um consumidor galante, perigoso e apaixonante, uma linha branca em formato de amante, és viciante...
- És linda!
- És mágico!
O precipício do desejo na vertigem do sabor, na crença num abismo lindo no olhar, no sentir, no amar...
É um andar no ar.
É um sentido único a flutuar.
...e vou AMARTE.
Caríssima D.ª Cabra
• Conto - feliz véspera de carnaval
A noite ia animada, Leonor servia copos atrás de um balcão, já para mais de quatro horas sobre uns sapatos salto agulha, lindos de morrer. Tinha-os comprado de forma caseira a uma amiga que lhe dissera certo dia;
- Minha querida, tenho lá uns sapatinhos que são a tua cara!
Leonor recordou ter transfigurado alguns traços faciais e se ter apavorado ao pensar no mau gosto da amiga, duvidara que fosse a sua cara ou por quem ela a tomava!
- Aí sim minha linda? Quando vemos isso? Bem sabes que sou louquinha por uns belos saltos altos!
De postura desconfiada, esperava sem grande ânimo que a amiga tirasse os sapatos do fundo do armário.
- Credo Maria! Parece que tens escondido um tesouro! No fundo do roupeiro? Uns sapatos?
- Cala-te Leonor, o meu Jorge não pode saber…
Leonor atarantada rodou a cabeça para a porta e viu-a fechada, descansou e aguardou em silêncio, o marido da amiga andava num corrupio caseiro, danado com as maravilhosas incapacidades da tecnologia informática.
Viu os sapatos e amou-os de tal jeito como nunca lhe sucedera. Seus olhos estontearam com tamanha beleza.
- Mariaaaaaa…. Céus… que azul celestial, maravilhosos!!!
Pagou o preço à amiga sem questionar, enfiou-os num saco de hipermercado e com eles debaixo do braço passou por Jorge com um sorriso inevitavelmente sarcástico, odiava aquele traste desde o casamento da amiga, achava-o um energúmeno de duplo olhar, até os óculos pavorosos do gajo a enervava!
A noite estava óptima, o bar animado e apesar do frio que entrava pela porta batendo no corpo de Leonor, ela mantinha-se frenética com mais 8 centímetros de mulher, servia imperiais atrás de imperiais naquela véspera de carnaval.
Amainou o movimento, já eram mais de cinco da manhã, as colegas de trabalho iam sendo dispensadas do serviço e à saída sussurravam ao ouvido de Leonor.
- Apareces na Maria Lisboa depois de fechares?
Leonor gesticulava não ao som da música do bar agora mais baixa. Estava cansada, apesar de tudo mas não dos pés ou da barriga das pernas, os brilhantes sapatos faziam milagres como nenhuns outros da sua colecção, embora a noite tinha sido muito mexida e precisava descansar.
Sozinha assoprara as últimas velas acesas das mesas, olhara em redor confirmando que nada ficava ligado. Na rua, já deserta, agacha-se fechando a grade do bar e sentira-se acompanhada por um som longínquo de paços, de sapatos na calçada que se tornaram mais lúcidos à aproximação.
Dá o conclusivo rodar de chave e levanta-se com a sua mega-bolsa a tiracolo, vira-se para apanhar caminho e sente uma mão encaixar na sua, de rosto baixo vê uns pés com calçado clone ao seu. Em placidez caminham juntos, fazem o mesmo trajecto, sobem a rua, Leonor pára ao lado do seu carro e finalmente sobe o olhar para contemplar um rosto sensualmente bem maquilhado, uma cabeleira loira lustrosa, um vestido prenunciador de todas as curvas corporais, um ser magnificamente belo, aromático e luminoso que lhe tira da mão as chaves do veículo. Leonor sente-se tranquilamente vislumbrada, deixa a criatura junto a si contornar o seu próprio carro, este abre a porta do pendura para a sentar no transporte, fecha a porta delicadamente e igualmente penetra a viatura, liga-a, agarra-se ao volante e arranca direccionada já a um destino certeiro. Leonor extasiada no seu próprio carro, conduzida por uma mulher alheia.
Abre-se um portão de garagem ao reconhecimento de som vocal, “o salto sou eu!” sobem a rampa, a misteriosa guia desliga o motor. Leonor vê-se infiltrada numa luxuosa caixa de betão, janelões que acabam em arco perfeito onde a luz nocturna viola os únicos objectos que se encontravam a meio daquele loft, uma colossal cama vestida a cetins e uma banheira Luís XV cheia de água fumadora. Saem, deixando ambas a porta aberta e encontram-se em frente ao carro. Encaixam novamente as mãos e encaminham-se para a banheira, descalçam os fabulosos sapatos e entram vestidas na água. Ressoa por magia, uma música voluptuosa, despem-se ao sabor de beijos e de carícias sedutoras, a quente água desonra as maquilhagens de ambas, escorre make up pelos seios de Leonor, desenham-se linhas dançarinas de rímel no ainda vestido da amante misteriosa.
Leonor deixa-se levar por ela, por aquela secreta vontade e despe-a, despe-a e despe-a… julgando encontrar uns seios declarantes e atractivos mas depara-se com um deserto de plana areia e despe-a, despe-a, despe-a, tira-lhe peça a peça que atira para fora daquela banheira e sente um palpitante falo errante! Salta-lhe o coração, assusta-se, agarra a cabeleira luzente já meio vacilante e atira-a contra o chão de tábuas corridas. Ela é um Ele, um magnífico espécime ELE!
Amam-se na banheira, encharcam a madeira, e alagados voam para a cama amante. Delirantes, atingem como nunca antes a suprema dor de tesão, a dor na paixão, a vontade de pronunciação de promessas, palavras galantes, amantes, mas não. Não há palavras, nunca houvera…
Leonor acorda nua em si, nua em redor, sobre um silêncio frio, uma luz assassina, levanta o corpo quente perante o vago, observa a banheira vazia, seca, sai da cama, deambula descalça sobre o soalho que agora lhe ouve sinistro ranger, não há nada, nada, nada, só ela, a cama remexida, a banheira desabitada, e o carro que contínua com ambas portas abertas. Não há um casaco, não há um vestido, umas meias umas cuecas sequer… Não há nada, nada, nada! Entra nua no carro, lívida, encontra as chaves imaculadas na ignição, liga o motor, fecha as portas, gira totalmente o volante, acelera doidamente, em pião, no meio do salão quase levando de rasto os únicos objectos daquele gigante jazigo, desce a rampa e encontra o preto portão. Em pânico observa as paredes despidas, o coração não pára de lhe bater cada vez mais forte, está gelada, nua, desamparada, desatenta, consegue ouvir um zumbido, no seu lado esquerdo nasce do chão um bastão perfurado e ouve uma foz feminina meio metalizada; “Código por favor”… Leonor salta do banco, assustada roda o manípulo e abre a janela e ouve de novo “código por favor” Leonor grita; quero sair!... “Código inacessível”, grita; quero sair, foda-se, quero sair! “Código por favor”… Olha em frente como se encorajando a transpor com o seu frágil veículo aquele negro portão e repara nuns sapatos entalados, poisados sobre o tablier, não os seus sapatos, outros, aqueles de linhas iguais mas de sua cor púrpura. Um postit na alma de um dos sapatos onde se lia: Código: o salto fui eu! …estremece de novo aos som do pedido “Código por favor”… e grita O SALTO FUI EU! CARALHO!!!
O portão abre lentamente, Leonor chora no meio de um sorriso libertador e conduz pela cidade. De sorriso passou a gargalhada, limpou as lágrimas, estava frio mas abriu a janela, viu o azul mar da marginal.
Encostou, calçou os sapatos púrpura e nua saiu do carro, ao andar sentiu que aqueles já não eram o seu número, subiu o pequeno muro, descalçou os sapatos enfeitiçados e com força atirou-os, lançou-os às pedras, sabia que pela noite seria maré cheia e levaria aquela tentação para um outro lugar, para um outro qualquer mágico lugar…
(continua)