Este pêlo branco

Aqui, nesta montanha batem os primeiros matinais raios de sol e quando este desce e se apresenta o luar tem-se a sensação de que nada se apresentou diferente do que já foi, do que é ou que poderá vir a ser. Não espere nada, nem deslumbramento nem desilusão, não é essa a brancura que se pretende.
Anseie o nulo para que atinja o supremo início do tudo de novo.
Muito gosto,
Cabra Branca.

terça-feira, 23 de março de 2010

Pé na Argola!


No ginásio…
M - Então diga-me, como anda a sua alimentação?
C - Mal…
M - Mal?!
C - Sim, não sou boa de comer!
M - ?
C - Desculpe, quero eu dizer que sou má de boca!
M- ?!
C- :-( …
M - ...:-)
C - ...Duche!

domingo, 21 de março de 2010

Vera

Há tempo atrás, queixosa, questionava-me porque razão tinha mais comentadores homens que mulheres. Sendo esta Cabra bivalente e o blogue dedicado aos interesses da bissexualidade, supostamente esperava uma “guerra” de presentes contrários! Mas não, facilmente percebi que o macho, não necessariamente Bi, tem uma curiosidade demarcada pela fêmea Bi, os seus devaneios sexuais alargam em leque promissor num profundo e provável horizonte a realizar, assistir de cadeira, com possibilidade de participação ou não, no amasso entre duas mulheres. Já as nossas senhoras não! São mais inibidas, algumas até os poros se lhes retrai ao som de “misturas”, acham tudo uma nojeira, como já ouvi algumas dizer. Nojeira! Hummm penso, nojeira? Coabita, num local realmente sujo, a cabeça!
Mas eis que chegou com a primavera uma Vera, assim lhe dou de baptismo, veio observar-me, aprender-me. E me diz, o que ando eu a perder… Bom é, quando nasce cogumelos num amanhecer húmido de se ver.
Panssexual, eu? Não!
Panssexualidade no próximo post.

à Vera:

terça-feira, 16 de março de 2010

Catonismo e aventuras fodanas

Naquela altura fazia uma semana que se enrolava com um macho, os últimos tempos fora entre enleio fêmeo. Tinha o apetite agora virado para a exploração das delícias masculinas. Ficara assim em standby as divas macias. Pois em nada era, ou seria, o momento para os homens sofrerem descontinuidade.
“O que tem contra os homens?” Perguntava o explorador a Rosa.
- Nada! Disse-lhe Rosa, e continuou - Não tenho palavra para isso, mesmo que tivesse algo contra ou a favor. Mas posso dar-lhe umas tantas metáforas para definir esse contra que diz coabitar em mim, tenho sim tudo a favor!
Maior certeza é certo tinha ela na actual sondagem, agora seria mais concisa e teria maior sucesso no que era descobrir a essência no ser homem. - Bom, - fez uma pausa e perseguiu - os homens são pedaços de lenha com destino a uma lareira ardente, mas eles há vários tipos e qualidades, uns mais fortes, robustos e de maior durabilidade, outros porém verdes e velozmente afogueáveis e outros ainda que são a pura das imitações e alterações, os ditos aglomerados, carregados de bostas sintéticas, colas e plásticas! Como não percebo nada de madeiras, e até há pouco tempo, toda a clara seria pinho, e a escura carvalho, lançava ao lume toda a lenha baralhada, naturais e alteradas, esperava pela queima, e retirava com a tenaz o sobrevivente, o “oliveira”, nunca o “figueira”, esse só com a pá, queima tão ágil como uma folha de papel escrita a amor, os alterados ficavam enrolados encarquilhados e fedentes encostados nas paredes da lareira.
Pensante Rosa, fita o mestre, afirma o pensamento e conclui; percebo que o homem que tenho em mim separa-me o trigo do joio, e isso só vai terminar quando for levada pela tristeza da desmotivação e vencida pelo cansaço de mais não valer a pena, assim por favor amásia a minha aura!

sábado, 13 de março de 2010

MASó + uma vez!

PARA VOCÊS MEUS QUERIDOS LEITORES, QUE SÃO O ESPELHO NA MINHA ALMA DE CABRA:

sexta-feira, 12 de março de 2010

Um piropo por dia, não sabe o bem que nos fazia!

Houve uma época em que o piropo estava na moda, praticado pelo homem e sem idade de utilizador - embora pertencesse aos homens feitos os melhores piropos - era uma forma de galanteio carinhoso com intenção lisonjeadora . Mas como tudo, foi-se deteriorando na forma e no estilo de expressão, chegando a bater no fundo, caindo no ridículo e ruçando por vezes num insulto. Observemos:


Mas manipulados num original tom de voz possante, levaram algumas destinatárias a um sorriso nem mais que fosse de canto, era inevitável não o desenharem no rosto. Assim, era um sinal de aceitação por oportuno lisonjeio. Os piropos eram criativos e garbosos, sendo frequente o baixar do olhar e um suave corar.
O piropo acabou por ter os dias contados, com o correr frenético dos tempos, entrou em desuso ou mesmo descrédito, acabando por se apresentar hoje praticamente extinto!
Penso dever-se a esta “sandes barrada a libido misto”, ou seja, a misturada dos sexos, a mulher desempenha mais funções que outrora eram exclusivas do homem, o homem perdeu o interesse nessa conquista da mulher, numa de “menos trabalho e comemos na mesma!”. Hoje os sexos fundem-se em iguais funções, o encontro com essa igualdade ofertou-nos a nós mulheres uma insípida realidade. Deparamo-nos com a igualdade, desvaneceu o propósito no desfecho galante.
Afinal o que querem? Perguntam.
Então, queremos uma torrada bem passada e banhada a manteiga Primor, um sumo de laranja tirado no momento com duas pedras de gelo, e um galão directo! Queremos isto, a perfeição na conta, peso e medida! Mas igualmente queremos que a torrada seja de pão integral, a manteiga Primor mas agora light, um sumo de laranjas frescas do sul com duas pedras de gelo, e um galão directo minado de espuma de leite magro!
Perceberam?
Se não sempre têm o Atum!


Foto de Claudio Rafael

terça-feira, 9 de março de 2010

Miss red hot bitch

hot bitch;
Sim eu sei, sou uma! E sendo, vos digo, ou não seria uma verdadeira cabra!
Hoje senhorita cabra a quente vermelho.
Apuro-me, refino-me dia para dia, aprimoro meus cascos ao sabor dos pormenores. Pormenores, ei-los! E falemos de engates.
Hoje falo de engates!
(Inspirado num post de uma bela estrela)
O engate ao longo dos tempos, das cavernas, aos cursos superiores na perícia do engate.
Veio-me à ideia, o filme A guerra do fogo, na clássica cena em que algumas fêmeas ancestrais vão beber água ao riacho e uma delas, ali acocorada, é surpreendida sexualmente por um macho das cavernas. Surpreendida por falta de palavra melhor, já que a tal fêmea não parece muito surpresa! Assim compreenderam quando digo surpreendam-me! Obviamente não é que me arrefinfem pelas traseiras assim à grande, mas sim surpreendam, a mim e a todas as fêmeas que dificilmente são elevadas nessa boa querença, que é a boa surpresa. Eu sei, é difícil… mas tentar não custa, como as derrotas, viram certamente umas tantas vitórias. Adiante, engates. Desde então, das cavernas não sopraram assim tão supremos ventos inovadores, ou já terá dado a volta no “ciclone”? Explico, como no caso da moda, dizem que esta é cíclica, que de tempos a tempos volta-se ao início do anel, o ciclo de moda, assim por exemplo usa-se numa época as mini-saias, depois voltasse às maxi-saias.
Colando ao caso do engate, penso que pouco ou nada evoluiu neste sentido, os homens digo, tiveram certamente tempos áureos, eu não sei, não vivi esses tempos gloriosos, quando eles usavam brilhantina, um pente fino no bolso e cantavam serenatas à luz do luar, claro que sei que cada década é a década! Mas afinal e esta década? Que tal andamos de engates? Qual é a boa-nova? Deu a volta ou nem por isso?
Na minha tórrida opinião, penso que andamos mal! Muito mal! Sinto até que no engate já nós somos as senhoras destes! Poucos são os criativos, e no geral, e quase sempre, é mais do mesmo… que pena, que falta de chá. Esboçamos um sorrisinho, numa de compaixão mas em mente a triste ideia, …bom podia ser bem pior, ou, antes isto que nada, ou, ainda será normal ou eu é que sou a anormal?!?
Assim julgo-me nesta e em plena década acocorada no alcatrão, procurando não saciar a sede, mas sim desesperadamente reaver a visão, tentando apanhar a lente de contacto que me caíra no chão, e vem um macho sedento, encava-me a peida sem eira nem beira, e corre para apanhar um táxi, pois que está em cima da hora para uma qualquer reunião. anaaahhhhh!?!?!?!? Fuck, voltámos ao ciclo!

E para depois fica o tema piropos, há muito que tenciono falar deles.
Foto Oscar Rosmano

segunda-feira, 8 de março de 2010

Mulheres genéricas

Não por ser o dia de hoje, o que se dá por dia da mulher, não há dias, são todos os dias. Falaremos delas, porque a origem deste dia há muito fora esquecido, e não há oito de Março que remexa novamente o sentido, o Dia Internacional da Mulher, tem origem nas manifestações femininas por melhores condições de trabalho e direito de voto, no início do século XX, na Europa e nos Estados Unidos. A data foi adoptada pelas Nações Unidas, em 1975, para lembrar tanto as conquistas sociais, políticas e económicas das mulheres como as discriminações e as violências a que muitas mulheres ainda estão sujeitas em todo o mundo.
Infelizmente a data tem sido utilizada para fins meramente comerciais, perdendo-se parcialmente o significado original.

Mulheres de corpo e de mente sã, mulheres sem marca, mulheres activas, mulheres magnéticas, frenéticas, resolvidas, mulheres de amar, mulheres, mulheres que são o meu espelho…
Leio seus toques, seus jeitos, o tom de batom, as malas que carregam, os sapatos que calçam, as roupas com que se trajam. Todo o cenário, o mais sofisticado ao mais despreocupado. Elas.
Elas que não sentem medo, metem medo! Mulher que intimida, mulher turbilhão, mulher furacão, mulher vida, dá-me a tua mão. Dá-me!

quinta-feira, 4 de março de 2010

nu escuro

Dark Rooms
Lisboa - O mais famoso fica no segundo andar do Bric-a-Bar, a discoteca gay mais antiga de Lisboa, com 35 anos. Os quartos escuros são, portanto, raros na capital. E olhados com desprezo moral por muitos gays, embora sejam eles os frequentadores. Mas o que são? Trata-se, em regra, de uma sala toda pintada de preto, às escuras, apenas com luzes de presença, onde vão homens gays para terem sexo anónimo com desconhecidos ou recém-conhecidos.
No caso do Bric, o quarto escuro abriu há 15 anos. Nessa altura, apenas as saunas tinham zonas do género. Mauro, um dos responsáveis pela discoteca, diz que não gosta destes sítios, mas achou boa ideia criar um em Lisboa. “É um serviço como outro qualquer, que existia noutros países e fazia falta aqui”. Mário Varela, DJ e relações públicas do Bric, acrescenta: “Ao contrário do que algumas pessoas dizem, isto não funciona como uma ajuda à promiscuidade. Só vai quem quer”.
Aberto às quartas, quintas e domingos, este quarto escuro continua a ser uma preciosidade no underground lisboeta, mas perdeu o fulgor de outros tempos.
Quando funcionava ao fim-de-semana, estava quase sempre apinhado. “Havia noites em que nem se conseguia entrar”, recorda o entrevistado. Nessas horas de ponta, estavam 50 pessoas, todas juntas, a ter sexo de pé. Então como hoje, havia algumas que acendiam os isqueiros para se certificarem da beleza dos desconhecidos. Algo que só acontece em Lisboa e é motivo de fúria entre os convivas, garantem várias pessoas.
A maneira mais fácil de fazer as coisas é engatar na pista de dança e seguir depois para o quarto escuro. Nas saunas, funciona da mesma forma, com a vantagem de que aí há menos confusão. Bastam uns olhares e, se for caso disso, uma breve troca de palavras.
Time Out terça-feira, 20 de Novembro de 2007

Mariana Carvalho, responsável pela organização da Íntima Party, que se realiza esta sexta-feira, dia 30, na discoteca Bric, está convencida de que as mulheres vão aderir ao quarto escuro que nessa noite estará a funcionar só para elas.
“Vão aderir porque em Lisboa não há outros espaços onde possam estar à vontade sem limites”, diz.
O quarto escuro, diga-se, é tradicionalmente um espaço para sexo livre entre homens e funciona em discotecas ou saunas. O do Bric existe há anos e é a primeira vez que vai proibir a entrada a homens. A Íntima Party quer-se feminina e lésbica. A festa começa pouco antes da meia-noite e prolonga-se até ao nascer do dia. Promete muitas surpresas, mas de concreto o que se conhece é o cartaz.
“A Íntima Party foi criada a pensar no público lésbico de Lisboa e de todo o país”, diz Mariana Carvalho. “Mas pretendemos receber todas as caras, credos, cores e nações”, esclarece.
O quarto escuro, refere a organizadora, “será a marca registada” da Íntima Party. Isto é, a ideia é realizar outras edições da festa e ter sempre um quarto escuro para mulheres. A periodicidade poderá ser mensal, adianta Mariana Carvalho. “Se a festa crescer muito, o espaço terá de ser repensado", informa.
Time Out terça-feira, 27 de Outubro de 2009

http://www.intimaparty.com/2edicao.html
Será para quando a íntima party3?!? Hummm

Foto Quark

segunda-feira, 1 de março de 2010

14ª Consulta

Olhar demorado
Pôs-me feliz ter descoberto este blogue, onde despudoradamente se desabafa e se recebem conselhos. Ando há vários dias por deixar umas palavritas a ver o que tem a dizer Miss Cabra. Tenho 29 anos, não sou feio (dizem), tenho emprego (trabalho entre os pequenos) e vivo, desde há 1 ano, com o conforto de uma herança de tia-avó. Parece que tenho tudo, menos tamanho: o meu 1,15m ensinou-me a viver na dimensão dos gnomos; aliás é assim que me tratam por onde trabalhei. Ao princípio riem-se, sou mesmo motivo de chacota da miudagem, já sabe como são cruéis, mas depressa deixam a risota... Mas sobra sempre o "sr. Gnomo", esquecendo-se do meu 1º nome que também não é mais favorável: César. Puseram-me logo nome de um gigante da História, um pobre anão sem feitos nenhuns dignos de registo.
Mas o que me traz é o seguinte: faz dois anos que descobri que sou gay, altura que coincidiu com uma sede de conhecer o Mundo, de viajar, não obstante a minha pequenez. A net trouxe-me a oportunidade de me meter em páginas onde (infelizmente) me anunciei em estatura normal e foto alheia. Claro que fui rechaçado com educação por todos, quantos me viram ao vivo e o ângulo de visão baixava drasticamente qualquer esperança, com a excepção de um homem que, extraordinariamente, tinha deixado um anúncio de procura de companheiro de viagem nos EUA, para uma travessia de costa a costa em cadilac antigo, e que no final, sem qualquer hesitação me aceitou. Tudo ocorreu num piscar de olhos, desde os preparativos até chegarmos ao Kansas, coração do país, quando já eu sonhava com o amor. E foi aí precisamente que comecei a sentir-me um estorvo, ao ponto do meu companheiro de viagem já não falar comigo e chegar mesmo a atirar pelos ares a almofada na qual me sentava no carro e que me permitia ver a paisagem, pelo que metade dos EUA se resumem ao azul do céu e ao verde das árvores mais altas que ladeavam as estradas. Como sou orgulhoso, não quis dar parte fraca. Mas a verdade é que estava apaixonado pelo único gay que me aceitou como sou. Em Lisboa, as últimas palavras que ouvi dele exalavam ódio: "Pensavas que me podia apaixonar por ti, gnomo do caralho!" Hoje ainda tenho esperanças que me ligue de novo e me convide a conhecer outro país pois foi o único gay que me aceitou como sou e apostou em mim. Confesso que nunca lhe disse nada que lhe pudesse ter induzido tanto ódio, mas quando a paisagem não me agradava, limitava-me a olhar demoradamente para ele porque o via como um ser humano admirável. Afinal, Miss Cabra, haverá esperança para mim no mundo gay? É que os gnomos não têm universo gay e adormeço as noites com a imagem de Brad Pitt diante de mim!
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Caloroso César, a sua história é de um verdadeiro gigante, digo isto pela maneira como a conseguiu transcrever nestas linhas, por vezes duras de se ler, o seu ser é colossal, embora vivente em um corpo curto!
Corpo/ Ser, e penso, todos nós temos algo que não apreciamos no corpo, dos mais variados queixumes, por vezes desagrada-nos a tal unha torta, um bico nas orelhas, um nariz torto, um rabo descaído, enfim enumeraria aqui mil mesquinhices, que com alguma dedicação à causa se altera e não vale a pena dizer como!
O seu caso é diferente, sei bem que quem lê pensa de imediato, (além de anão é gay!), não se evita, é uma constatação medíocre como outra qualquer “além de borbulhenta é chata!” “ Boa mas burra!” enfim… Catalogam-se as pessoas esquecendo a sua natureza a sua condição.
Pior que todo o aspecto físico são as incapacidades provisórias da inteligência e digo provisória porque também essa pode ser trabalhada!
Descobriu que era gay, reconheceu e assumiu, parabéns pela frontalidade para consigo, mas e como existe quase sempre um mas, o César começou mal as suas aventuras e pesquisas aquando lobrigou um perfil que não era o seu, o seu real ser, ai não foi justo consigo nem com os outros, e sofreu as represálias agudas na pele.
Quanto ao que o trás directamente a esta montanha, as questões pertinentes e que me parecem mal resolvidas ou mal esclarecedoras de sua parte, são; porque razão “ele” se chateou consigo, pensa você que foi só pelo seu olhar afinco? Terá sido somente isso? E que orgulho foi esse seu, que o inibiu de questionar o seu companheiro de viagem sobre a razão de tal desagrado? As partes fracas não resolvem problemas mas sim adiam-os!
Deixe-se de esperanças e pegue você no raio do telefone, ligue, tem somente 50% de hipóteses de ser maltratado, mas 100% de ficar resolvido na sua cabeça.
Haverá esperança de “gnomo” no mundo gay?
Não sei meu César, mas pode ser que através deste blogue alguém o possa esclarecer nesse ponto…
Obrigada, adorei a sua mensagem, sinto-me totalmente no vazio deste meu vago, espero no entanto ter-lhe servido em alguma forma, mais não seja que para divulgá-lo!
Abraço caloroso.

Bananas e Melões

Hoje cheira a verão!!!
Desculpem-me mas não podem perder estas jóinhas!!!




you touch my tralala... lol




E para colarem no tecto do vosso quarto… ei-lo maravilhoso, o bigode dá-me uma tesão daquelas… Céus Gunther!!! HUUUUMMMMMMMM

domingo, 28 de fevereiro de 2010

No Shaker

e ontem foi assim;
Brazen hussy
Ing.:
Cubos de gelo
1 medida de Vodka
1 medida de Triple Seco
1 medida e 1/2 Sumo de Limão
no shaker, abanicar ferozmente! e...
Foto Pedro Moreira
...beber traz à memoria imagens das jazz babies e das loiras platinadas de Hollywood!

Acompanhar o cocktail ao som de:

sábado, 27 de fevereiro de 2010

O BelO e a MonstrA

(este post tem bola vermelha, utilização de linguagem ordinária)
Bem, nem sei bem por onde começar, mas qualquer princípio pode ou deve de ser bom.
Hoje abrir o mail e lá lia-se, “Olá, deves ser o máximo, adorava conhecer-te.”
Confesso que fiquei sensibilizada, no fundo este “directo” que tanto gosto de utilizar na minha forma de ser e estar, aquando jogada para mim, fico direi suspeitosa, provavelmente nem será a palavra bem empregue, mas neste momento questiono-me qual seria a indicada.
Este post, não vai ser acompanhado de imagem sensual, ilustrado com cores tentadoras, porque seria difícil encontrar uma monstra tesuda. E pensarão, mas que diabo fala esta gaja, esta Cabrona desta Cabra? Falo-vos de que tanto a um minuto se recebe um maravilhoso e surpreendente elogio, mesmo que virtual, como se leva com um balde cheio de merda em cima. E lá está, palavras, essas putas dessas palavras!
Fui além delas, fui além de mim, eu disse-vos que brinco com elas ao sabor do meu estado de espírito, e claro virtualmente quem pode saber em que estado estou? Ninguém, ninguém! Banho-me de metáforas que muitos não entendem, e porque terão de entender? Sim! Porquê?
E dirão, a intenção é que conta! Pois outra bela merda, a intenção, a intenção tem manómetro? Sabemos até quando podemos esticar, ou puxar? Pois não, Pois não!...
Assim quero pedir desculpas ao mundo virtual, seja lá ele quem for, por todas as palavras que escrevi e que possa ainda escrever enquanto postagem ou enquanto comentário, ninguém tem por obrigação levar com os meus estados do caralho, sejam categóricos, inquestionáveis ou negativos, nulos, proibidos!
A saber estamos sempre a evoluir, no entanto não vou deixar de ser quem sou, muito menos deixar de desvairar com o meu humor negro, disparatar pelo mais puro dos meus disparates!
E sim tenho coração e corre-me sangue igual ao vosso nas veias.
Desculpem, desculpa!
A Cabra.

E surpreende-me!!!

"MEU" Trolha mais uma vez surpreendeste-me... e gostei! Bastante!
Imagem retirada do blogue Desejos Proibidos

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Surpreende-me!

Hoje pela manhã andava na “blogada” e fui à casa da Laetitia Sweeney Rose, vou usar a expressão em nada diminuta, fui à casa da Rose, e encontrei por lá uma posta bem agradável que me inspirou profundamente…
“Há uns tempos li um artigo sobre mulheres que, com o intuito de surpreender os parceiros, introduziam chocolate na vagina de maneira a tornar o sexo oral ainda mais delicioso. (…) A rotina é uma inimiga monstruosamente letal de qualquer relação, adorando rondar a própria existência humana.” Rose
Assim questiono baby´s (eles e elas, já sabem!), definitivamente desejam chocolate de leite doce ou negro generosamente amargo?

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Eu não sei bem quem tu és...

Hoje recebi o sms mais lindo do mundo! E dentro da temática “Palavras” e “Puta” que este blogue tem dedicado nos seus últimos dias, ei-la:
“Amo o que me dizes linda C”
a pessoa em questão no fundo quer dizer: - Amo o que me ESCREVES linda C.
O melhor do mundo é a simplicidade, não só das palavras como da paixão de desejar alguém, independentemente da forma que a(o) leva a essa ambição.
Já disse inúmeras vezes, e reafirmo, que as palavras são só isso mesmo, palavras, atrevo-me a brincar com elas, arrisco-me e desafio-as, mas no fundo e cada vez mais lhes sinto respeito e afecto, contradição? Talvez! Aliás admito que me alimento em muitas das minhas incoerências, mas só eu sei onde as encaixo e porque as tomo como uma pílula de equilíbrio desequilibrado.
Assim tenho por hábito, provavelmente dirão horrendo, chamar amor a todos os bichos da terra, ou então de linda(o), belheq, visto assim até a mim me arrepia, mas no fundo esse desequilíbrio é naturalmente verdadeiro. Sim amo-os, sim são lindos, isto porque parto do pouco ou muito principio que há sempre um afecto, mesmo que surreal que nos liga enquanto personagem de uma determinada encenação, e com isto não julguem que ando num teatro constante, não! Mas sim aprendi que não importa se vou engolir sapos ou se vão cair sobre mim chuvas de estrelas das melhores que há no mercado. A vida é difícil, e aqui entra o velho cliché de palavras banalizadas, pois que viver não custa, custa é saber viver! E como tenho isso como lema, vai um outro sms lindo de morrer:
“Minha linda C, cheguei e li-te, bom estás On Fire!!! E gosto! Deito-me e encaixo-me em ti… minha querida Puta!”



quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Conversa de vão de escada

O que eu queria mesmo dizer: - Ó coleguinha, se você soubesse como deste ângulo isométrico se vê esse seu cuzinho a ser todo partido!?!?
Podia ir mais além do simples e antes dizer: - Estás a gostar puta?!
Mas no fundo não concordo que se diga: - Queres um miminho na cenaita fofa? ou antes, que te meta a mão até ao punho??!!”
RM

INGÉNUAS(OS) OU ORDINÁRIAS(OS)?

O SEXO – Do acto sexual taciturno ao sexual afamado. Calado ou falado? Monologado ou partilhado?
- Falado e Partilhado!
A PALAVRA – Aquando o dom. Suaves ou ásperas? Delicadas ou ordinárias?
- Todas! Todas as palavras!
NO ACTO - Fará sentido sem a ordinarice da palavra no próprio acto-desempenho? Ordinarice-falada, sim ou não?
- Sim!
Um complemento ou um substituto?
- Complemento!
A cumplicidade da relação propicia a utilização da ordinarice-falada ou é a ordinarice-falada que cria cumplicidade?
- Ambas!
Quando nos excitamos com a ordinarice-falada, isso torna-se um vício?
- Sem dúvida!
É ou não uma prova de afecto a utilização da ordinarice-falada?
- Não só de afecto, mas uma total e intensa entrega!
Um desafio: do que prescindimos primeiro (caso seja preciso optar):
a) Uma palmada (dessas mesmo: no limite pré-sado-deliciosamente-forte).
b) Uma ordinarice-falada do mais puro e primário teatro.
Para reflectir:
Os fetiches/fantasias são em cavalgada (ups! termo traiçoeiro)? Ou seja, será que elevamos cada vez mais a fasquia das fantasias a ponto de já não nos satisfazermos com o "soft"?
Para me responderem:
Sexo - Quem realmente preferem? As(os) ingénuas(os) ou as(os) "ordinárias(os)"?
Palavra - As ordinárias incautas ou as medíocres incrédulas?
Espero por vossos testemunhos
- Vá cão! Anda salta-me para cima e não me deixes sem respostas!!! anhhhanhhh simmmmmmssssssssiiiiiiiimmmmmmmmmmmanhhhhhhhisso, issooo SIIMMM!!!!

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Vamos tomar um co(R)po?

Conversa de varão…
C - Pago sim!
S - Não pagues! Certamente que arranjas de borla e de boa qualidade... É o que não falta por aí...
C - Ou quem sabe ainda me paga! Vais ver…
S - Nada como o savoir faire de quem é como um bom cálice de Vinho do Porto. Adocicado q.b, com um gosto que perdura na boca e aquece a alma.
C - Sim, mas em nome do quanto ao pagar e não pagar eis a questão, como bem sabes os tempos são outros, no caso não pago pela prostituição de um corpo, mas sim pelos prazeres preliminares anteriores à queda em lençóis…
S - Mas será que achas que no final de um manjar suculento se vai beber uma cerveja?
C - Não minha querida, infelizmente para o bolso de qualquer fedelho excelente de cama um bom vinho do Porto paga-se bem! E EU PAGO por um pedaço de muito boa qualidade!
S - É isso mesmo! És uma mulher de fibra! Temos que ensinar os homens a sustentável proeza das mulheres!
C - E isto não é uma justificação ou um falar para me ouvir, é para se ouvi!
S - E então nesse caso vamos DEVORA-LOS? (sorri malandra)
C - Sim!!! E é um gozo falar, melhor gritar o assunto, a música hoje está alta demais!
S - Agora agarra o pau com garra mulher maluca, tens de ter pasta para pagar!
C - Sim, voltarei!!! Ele há fodas que não têm preço!
S - Méééééééééééée

Senhora Puta Não Tem Ouvidos!

INSTANTE FATAL "Sempre gostei muito da palavra puta. Soa bem, é curta, directa, fácil de pronunciar e permite ser usada em multíplos significados dependendo do tom da voz ou da escrita.
Dizer puta pode ser carinhoso, agreste, hostil, provocador, arrojado. Chamar puta exige alguma coragem no uso da palavra e recebê-la pode provocar reacções imprevisíveis: se for uma senhora a levar com ela, sorrirá e achará o piropo carihoso.
Se for uma vulgar puta ficará ofendida.
" Luiz Carvalho

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Ser ou não ser… cabrona ou libertina? Antes Puta!

Atenção: texto retirado e inspirado do blogue Doce Caturrinha encontrado em, blogue do Palavras sensuais.

E aqui vamos;
Resumo:
Libertino é o que pratica o culto do corpo, do prazer, do sexo, não come por comer, alimenta-se. E sempre com o conhecimento prévio do alimento em si.
Libertino hardcore diz: “Queres foder?”;
Libertino literário dirá: “Tenho uma vida para ti na palma da minha mão”.
Um libertino não tem estratégia deliberada. O libertino pode até entregar-se a um corpo, o corpo interessa, o género pode não interessar. Não há que lhes levar a mal.
Cabrão, pode parecer cabrão de aspecto mas nunca na atitude.
Cabrão organizado, nunca diz que é um grande cabrão. Faz sentir qualquer um especial, único.
Cabrão requintado, faz surpresas (leva a presa ao hospital e diz nas Urgências que ele é o amor da sua vida, e isso é grave, uma Urgência!), escrever cartas de amor irresistíveis.
Cabrão moderno, manda sms consecutivamente (sms: “Não me sais da cabeça. E agora?).
Cabrão proactivo, não aceita um “Não”, insistir sempre até a vítima ceder. Não gosta de jantares sem sobremesa. Não tem paciência para conversinhas, cinemazinho, ou passeios no parque. Jantar, só uma vez e depois a coisa fica resumida a sexo. Razão pelo que já está outro(a) em fila de espera e não há que fazer esperar muito.
Cabrão no desfecho, há sempre um desfecho com o cabrão e ele quase sofre com isso, a saber:
Cabrão-aprendiz, desaparece, ou diz que está com problemas ou o célebre “não és tu, sou eu”;
Cabrão-mestre, faz-se sentir mal por ter de partir.
Cabrão como deve de ser!;
Exemplo de diálogo:
Cabrão: Não me ligas nenhuma
Vítima: Eu??? Tu é que não dizes nada há três dias
Cabrão: Se calhar devias perguntar-te porquê. Mas tu é que sabes. Tu é que escolheste assim…
E só depois desaparece.
Se a vítima for pouco experiente ou então só pouco inteligente fica em desespero. COMO É QUE FOI ELA A ESTRAGAR TUDO??!! Se for uma vítima inteligente, percebe o esquema, pode até bater palmas e pensa baixinho: “Ah cabrãooooo” e sorri. Há que lhes dar valor!
É uma arte!, a "A arte de ser cabrão."

“ Gajas tão burras, tão burras, tão burras, tão burras e que se acham o máximo. Há mulheres que ainda não perceberam que são tanto de nada, que nunca irão servir para mais nada a não ser para ser as putas de alguém.”. Escrito por Charmoso

SER PUTA É ARTE! Misscabra Bianca.

Adejem

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

na hora H

- Vem! Não inventes merdas, arruma isso vamos almoçar…
- Mas ainda ontem comemos!?
- E?
- Um dia ele ainda vai perceber …
- Ele é isso mesmo, não passa de um ele! Nós somos elas, não sentes o pecado assim menor?
- Bem sim, quer dizer, não! Bem sim e não...
-Então enquanto pensas vamo-nos comer!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

D17.17H

A.MARTE

Acordaram estafados, corpos nus, enlaçados, colados, cúmplices ainda entesados... seriam eles as celebridades daquele filme?
Silencioso olhar pensante, dúbio, eles mesmo, reais físicos, as estrelas daquele papel.
Olharam-se, beijaram-se profundamente, para além deles, como sugando um desejo íntimo, entranhado, escondido. O medo, surgiu naquele instante, forte, intenso e eterno querer ambíguo…
- És intensa, viciada nas tuas personagens e perigosa, emocionalmente perigosa...
- E tu, és um consumidor galante, perigoso e apaixonante, uma linha branca em formato de amante, és viciante...
- És linda!
- És mágico!
O precipício do desejo na vertigem do sabor, na crença num abismo lindo no olhar, no sentir, no amar...
É um andar no ar.
É um sentido único a flutuar.
...e vou AMARTE.


13ª Consulta

Provar inquietude Caríssima D.ª Cabra
Escrevo pela primeira vez no seu blogue a jeito de consulta, na esperança que me possa ajudar.
Conto que a sua experiência caprina me auxilie neste dilema que me deixa inquieto ao ponto de nada me interessar, nem no trabalho, em casa, ou no resto que preenche o meu dia-a-dia cheio de banalisses.
O cerne da questão; não a ver para mais de uma década. Tempo demais dirá a Dona para que tenha deixado tal marca, mas o que é certo, é que quando os meus olhos se fixaram nos dela, e diga-se lindos como da última vez que os tinha visto, senti em mim um desejo crescente de voltar a estar, reaprender, respirar o mesmo ar que ela.
A noite correu bem, vimos os traços que o tempo se encarregou de marcar em nós, já perto dos 40 anos, rimos ao avivar as lembranças de como éramos e o que fizemos com menos 20.
Mas nela, os traços não se marcaram. Apenas curvas lindas de um rosto de mais mulher, onde a frescura feminina se misturava num deleite, fragrância de deliciadas feromonas.
A conversa foi boa, a comida agradável, e a noite passou mais rápido do que eu desejava.
Deixámos os amigos e feitas as despedidas, partimos como que numa frenética perseguição do macho atrás da fêmea. Nunca uma viagem me pareceu tão longa, pois sabia que no fim iria ter uns segundos a sós.
Além de nós, abraçados em um, olhos entrelaçados, queria que tudo o resto se sustesse.
Como que aqueles anos não tivessem passado e de novo nos 17, tudo o resto não existisse.
A vontade, o desejo, a inquietude de querer provar, morder, sentir, consumir o que nunca provara. O corpo a palpitar, a tesão a crescer num desejo animal, numa vontade pura de querer arrancar as roupas que nos separavam, unir dois corpos nunca antes unidos.
Será amor? Paixão? não... é mesmo desejo lascivo da carne contra a carne. A vontade, das mais puras. Querer percorrer o aroma do seu corpo e degustar o seu sabor proibido. Invadi-la na sua carne, saborear a sua alma, repetir e perpetuar, ficar no êxtase e ficar... sempre!
Tais pensamentos não saíram de mim durante horas, dias, e vivem até hoje, apenas se tornando mais fortes com a distância temporal.
Mas não será na amizade mais pura que nasce o desejo?

Que me aconselha D.ª Cabritinha? Sei que ela não se prende, e além disso preso estou eu há muitos anos.
Deverá esta ávida alma procurar saciar-se nesse corpo que transborda prazer? Assumindo os riscos, querendo entrar no jogo? Ser nem que por uma vez seu objecto, e que em mim ela se sacie? Valerá a pena o risco? Ou serão só dúvidas? Caso mal resolvido? enfim....
Conto com a sua experiência montesa, de cabra marota, para me aconselhar.
Assim me despeço e a partir de agora, seu... Leitor

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Romântico Leitor, se eu tivesse o dom dos conselhos do amor serviria muita gente, incluindo a mim. Infelizmente não tenho e quando recebo consultas deste foro, fico, direi espantada! E o meu espanto serve-se de dois pratos, um frio e um outro como um caldo aquecido.
Assim começando pelo gélido comentar direi, se há amizade em ambos mas não desejo recíproco, não valerá a pena, porque quem provavelmente sairá magoado é o seu ser enquanto desejo e crente amante. O caldo que nunca passará disso mesmo, provavelmente nunca sairá a escaldar, é duvidoso. Julgo que mais você se pretende saciar que prontamente ela. Infelizmente concluo que não valerá o risco, isto querendo você se proteger, mas sinto-o inquieto e com casos pendentes e mal resolvidos, abra a porta do congelador e enfie a sua cabeça por 3 minutos e congele essa ideia, quem sabe talvez por mais 10 anos e verá que no final optou pela melhor decisão.
Sem mais, esta cabra que não arrasta na pata uma bola de cristal, mas que gostaria muito de arrastar!

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Nem sempre se pode...

Nem sempre se pHode...

S: Tão bom! Por falar nisso, vais ser bom para mim?

R: É absurdo dividir as pessoas em boas e más. As pessoas ou são encantadoras ou aborrecidas.

S: Sim, admito. É uma tentação ceder.

R: A única maneira de nos livrarmos de uma tentação… é ceder-lhe. E olha que quem disse isto tem mérito e merece ser escutado. Por amar, ultrapassou-se a ele mesmo.

S: Ai, não sei. Se bem que sinto que queria sair de mim. Nunca vivi isto. Queria ver-me dai desse lado. Se calhar alinho.

R: Então vem. Bebe o teu café. Eu espero. Temos esse tempo todo. Já está?

S: Vou. Ai meu Deus. Que pecado.

R: Não há maior pecado que a estupidez. Cala-te. Já cá estamos. Não tem regresso.

Escrito por RM em Agradinhos, Escritos e imagens de Amor e Ódio "Amar é ceder ou um abracinho de Oscar Wild"

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Sobre(s)saltos

Inspirado no último post da Devaneios de uma Loira & Companhia Conto - Feliz dia dos namorados*


• Conto - feliz véspera de carnaval

A noite ia animada, Leonor servia copos atrás de um balcão, já para mais de quatro horas sobre uns sapatos salto agulha, lindos de morrer. Tinha-os comprado de forma caseira a uma amiga que lhe dissera certo dia;
- Minha querida, tenho lá uns sapatinhos que são a tua cara!
Leonor recordou ter transfigurado alguns traços faciais e se ter apavorado ao pensar no mau gosto da amiga, duvidara que fosse a sua cara ou por quem ela a tomava!
- Aí sim minha linda? Quando vemos isso? Bem sabes que sou louquinha por uns belos saltos altos!
De postura desconfiada, esperava sem grande ânimo que a amiga tirasse os sapatos do fundo do armário.
- Credo Maria! Parece que tens escondido um tesouro! No fundo do roupeiro? Uns sapatos?
- Cala-te Leonor, o meu Jorge não pode saber…
Leonor atarantada rodou a cabeça para a porta e viu-a fechada, descansou e aguardou em silêncio, o marido da amiga andava num corrupio caseiro, danado com as maravilhosas incapacidades da tecnologia informática.
Viu os sapatos e amou-os de tal jeito como nunca lhe sucedera. Seus olhos estontearam com tamanha beleza.
- Mariaaaaaa…. Céus… que azul celestial, maravilhosos!!!
Pagou o preço à amiga sem questionar, enfiou-os num saco de hipermercado e com eles debaixo do braço passou por Jorge com um sorriso inevitavelmente sarcástico, odiava aquele traste desde o casamento da amiga, achava-o um energúmeno de duplo olhar, até os óculos pavorosos do gajo a enervava!
A noite estava óptima, o bar animado e apesar do frio que entrava pela porta batendo no corpo de Leonor, ela mantinha-se frenética com mais 8 centímetros de mulher, servia imperiais atrás de imperiais naquela véspera de carnaval.
Amainou o movimento, já eram mais de cinco da manhã, as colegas de trabalho iam sendo dispensadas do serviço e à saída sussurravam ao ouvido de Leonor.
- Apareces na Maria Lisboa depois de fechares?
Leonor gesticulava não ao som da música do bar agora mais baixa. Estava cansada, apesar de tudo mas não dos pés ou da barriga das pernas, os brilhantes sapatos faziam milagres como nenhuns outros da sua colecção, embora a noite tinha sido muito mexida e precisava descansar.
Sozinha assoprara as últimas velas acesas das mesas, olhara em redor confirmando que nada ficava ligado. Na rua, já deserta, agacha-se fechando a grade do bar e sentira-se acompanhada por um som longínquo de paços, de sapatos na calçada que se tornaram mais lúcidos à aproximação.
Dá o conclusivo rodar de chave e levanta-se com a sua mega-bolsa a tiracolo, vira-se para apanhar caminho e sente uma mão encaixar na sua, de rosto baixo vê uns pés com calçado clone ao seu. Em placidez caminham juntos, fazem o mesmo trajecto, sobem a rua, Leonor pára ao lado do seu carro e finalmente sobe o olhar para contemplar um rosto sensualmente bem maquilhado, uma cabeleira loira lustrosa, um vestido prenunciador de todas as curvas corporais, um ser magnificamente belo, aromático e luminoso que lhe tira da mão as chaves do veículo. Leonor sente-se tranquilamente vislumbrada, deixa a criatura junto a si contornar o seu próprio carro, este abre a porta do pendura para a sentar no transporte, fecha a porta delicadamente e igualmente penetra a viatura, liga-a, agarra-se ao volante e arranca direccionada já a um destino certeiro. Leonor extasiada no seu próprio carro, conduzida por uma mulher alheia.
Abre-se um portão de garagem ao reconhecimento de som vocal, “o salto sou eu!” sobem a rampa, a misteriosa guia desliga o motor. Leonor vê-se infiltrada numa luxuosa caixa de betão, janelões que acabam em arco perfeito onde a luz nocturna viola os únicos objectos que se encontravam a meio daquele loft, uma colossal cama vestida a cetins e uma banheira Luís XV cheia de água fumadora. Saem, deixando ambas a porta aberta e encontram-se em frente ao carro. Encaixam novamente as mãos e encaminham-se para a banheira, descalçam os fabulosos sapatos e entram vestidas na água. Ressoa por magia, uma música voluptuosa, despem-se ao sabor de beijos e de carícias sedutoras, a quente água desonra as maquilhagens de ambas, escorre make up pelos seios de Leonor, desenham-se linhas dançarinas de rímel no ainda vestido da amante misteriosa.

Leonor deixa-se levar por ela, por aquela secreta vontade e despe-a, despe-a e despe-a… julgando encontrar uns seios declarantes e atractivos mas depara-se com um deserto de plana areia e despe-a, despe-a, despe-a, tira-lhe peça a peça que atira para fora daquela banheira e sente um palpitante falo errante! Salta-lhe o coração, assusta-se, agarra a cabeleira luzente já meio vacilante e atira-a contra o chão de tábuas corridas. Ela é um Ele, um magnífico espécime ELE!
Amam-se na banheira, encharcam a madeira, e alagados voam para a cama amante. Delirantes, atingem como nunca antes a suprema dor de tesão, a dor na paixão, a vontade de pronunciação de promessas, palavras galantes, amantes, mas não. Não há palavras, nunca houvera…
Leonor acorda nua em si, nua em redor, sobre um silêncio frio, uma luz assassina, levanta o corpo quente perante o vago, observa a banheira vazia, seca, sai da cama, deambula descalça sobre o soalho que agora lhe ouve sinistro ranger, não há nada, nada, nada, só ela, a cama remexida, a banheira desabitada, e o carro que contínua com ambas portas abertas. Não há um casaco, não há um vestido, umas meias umas cuecas sequer… Não há nada, nada, nada! Entra nua no carro, lívida, encontra as chaves imaculadas na ignição, liga o motor, fecha as portas, gira totalmente o volante, acelera doidamente, em pião, no meio do salão quase levando de rasto os únicos objectos daquele gigante jazigo, desce a rampa e encontra o preto portão. Em pânico observa as paredes despidas, o coração não pára de lhe bater cada vez mais forte, está gelada, nua, desamparada, desatenta, consegue ouvir um zumbido, no seu lado esquerdo nasce do chão um bastão perfurado e ouve uma foz feminina meio metalizada; “Código por favor”… Leonor salta do banco, assustada roda o manípulo e abre a janela e ouve de novo “código por favor” Leonor grita; quero sair!... “Código inacessível”, grita; quero sair, foda-se, quero sair! “Código por favor”… Olha em frente como se encorajando a transpor com o seu frágil veículo aquele negro portão e repara nuns sapatos entalados, poisados sobre o tablier, não os seus sapatos, outros, aqueles de linhas iguais mas de sua cor púrpura. Um postit na alma de um dos sapatos onde se lia: Código: o salto fui eu! …estremece de novo aos som do pedido “Código por favor”… e grita O SALTO FUI EU! CARALHO!!!
O portão abre lentamente, Leonor chora no meio de um sorriso libertador e conduz pela cidade. De sorriso passou a gargalhada, limpou as lágrimas, estava frio mas abriu a janela, viu o azul mar da marginal.

Encostou, calçou os sapatos púrpura e nua saiu do carro, ao andar sentiu que aqueles já não eram o seu número, subiu o pequeno muro, descalçou os sapatos enfeitiçados e com força atirou-os, lançou-os às pedras, sabia que pela noite seria maré cheia e levaria aquela tentação para um outro lugar, para um outro qualquer mágico lugar…
(continua)